"Senhor, tua Palavra é luz no meu caminho e lâmpada para os meus pés! Creio que por meio da tua Palavra o Universo se formou; Creio que por meio da Tua Palavra a terra se firmou; Creio que Tua Palavra, o Verbo Eterno, se encarnou em nosso meio: Jesus, és a Palavra Viva de Deus Pai, Palavra que permanece viva em nosso meio, e continua a ser inspirada e renovada pelo Santo Espírito. Tudo pode passar, as ervas podem secar, as folhas podem cair, o céu e a terra passar, mas, tua Palavra meu Deus, jamais passará. E enquanto eu viver quero emprestar minha voz a Ti para que continueis falando ao coração dos homens e mulheres deste tempo! Fala-me Senhor, fala em mim Senhor, fala por mim Senhor!"
1. “Acaso pode a
mulher esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu
ventre? Se ela esquecer, eu, porém, não me esquecerei de ti”. (Is 49,15). Esta
é uma resposta apaixonada de Deus a seu povo, um sinal da obra do seu amor.
Esta palavra de
Deus posta na boca do profeta Isaias se dá em um momento em que o Povo de Israel
está retornando à Pátria e Jerusalém está sendo reconstruída. Neste contexto, o
Profeta Isaias nos apresenta Deus não como o criador onipotente, o soberano
absoluto do mundo, a realizar sua vontade em todas as circunstâncias, mas como
um “apaixonado” que tem as mãos tatuadas com a imagem da pessoa amada, a fim de
tê-la sempre presente, a trazendo dentro de si, com amor superior ao próprio
amor materno. O convite é para que o povo desperte para o amor de Deus, um Deus
apaixonado.
O amor infinito
de Deus agirá e há um tempo particular no qual Ele decide intervir. Uma
intervenção de providência, mas, sobretudo, de amor.
2. Israel é um
povo separado, um povo especial, um povo que se distingue de outros povos, não
porque receba mais do que os outros povos em relação aos bens da terra, mas
porque é um povo eleito, eleito por Deus, separado por Ele para si. Israel não
deixa de ser a “terra prometida”, e repete na sua experiência de vida a
experiência de ser o guarda dessa promessa através de gerações.
As profecias à
cerca desta realidade são longas; de fato, os bens prometidos a Israel demoram
a chegar e às vezes parece que Deus está fazendo certa “zombaria” do seu povo.
Porém, estes bens prometidos a Israel, segue uma dinâmica semelhante ao trato
de um pastor de ovelhas com o seu rebanho.
3. Ovelhas
gostam de sal. Quem dá o sal é o pastor. Ele usa este meio para trazer as
ovelhas consigo, para criar laços de afeto e confiança, de modo que as ovelhas
o sigam até o pasto. Se o sal cessa, as ovelhas se perdem. Em resumo, elas não
são nada, sem o pastor. Ai delas se o pastor se desinteressar pelo rebanho, se
não lhes der mais sal.
O Senhor é o
pastor de Israel. Ele concede progressivamente bens a seu povo, de modo a tê-lo
consigo. Ele não esquece o seu rebanho e nem deixa o “sal” acabar. Ele não se
esquece, Ele está perto. Ele tira Israel de sua tranquilidade para depois
caminhar à sua frente. Ao seguir o Senhor, Israel vê seu próprio caminho e se
torna livre.
4. A segurança
de Israel está no seu Pastor. A nossa segurança, enquanto membros do Povo de
Deus, igualmente eleito, também está Nele, nosso Pastor e Guia. Encontramos a
imagem deste Deus apaixonado em Jesus, o Salvador. De fato, Ele nos amou tanto
que nos deu seu Filho amado, é o que lemos na Escritura, e em Jesus vemos a
Imagem do Pai, sua ação e vida.
5. Nos
versículos 17ss do capítulo 5 do evangelho de João, encontramos a resposta de Jesus
a este respeito: “Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho” (Jo
5,17).
Os judeus
entendem esta fala de Jesus como uma afirmação de sua semelhança com Deus (e de
fato, o é), suscitando-lhes raiva e o desejo de matá-lo, ainda mais porque Jesus
havia violado a lei do sábado ao curar o paralitico na piscina de Betesda (Cf.
Jo 5,1-16).
Jesus prossegue
na sua resposta, longa inclusive, na qual expõe três temas:
·A
dependencia de Jesus do Pai nas obras, milagres, juízo e vontade (Jo
5,19-20.30);
·Sua
Igualdade com o Pai, expressa no vivificar e julgar e no receber a mesma honra
que o Pai (Jo 5,21-24);
·Escatologia
presente e futura (Jo 5,24-28).
Esta realidade
da nossa fé está presente no credo que professamos, na versão
niceno-constantinopolitana: “Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus
verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai”.
Portanto, a obra
de Jesus é obra do Pai; o milagre de Jesus é milagre do Pai. Jesus se revela
assim na sua igualdade com o Pai.
6. Encontramos
nesta página do Evangelho dois pontos que são essenciais para entendermos este
mistério de Jesus e o Pai: O poder de ressuscitar os mortos e o de julgar todos
os homens.
O poder de
ressuscitar os mortos, segundo o Primeiro Testamento é prerrogativa exclusiva do
Pai (Dt 32,2-9; 2 Rs 5,7; Tb 13,2), que o exerce livremente e a seu critério.
Este mesmo poder foi dado ao Filho, pois ele ressuscita o filho da viúva de Naim, a filha de Jairo e seu amigo Lázaro.
O pode de julgar
todos os homens, deriva do primeiro: tendo o Filho o poder sobre a vida e a
morte dos homens, tem necessariamente o poder de dirigir o curso de suas vidas
e sancionar suas obras com um destino eterno de felicidade ou condenação.
7. Pois bem, se
o Pai é Pastor, o Filho também é.
O Filho é a Palavra
do Pai encarnada em nosso meio. O Pastor chama as ovelhas e elas escutam a sua
voz. Assim, a Palavra que Jesus Pastor diz é que dá a vida eterna às suas
ovelhas que o ouvirem. Quem ouve a Palavra de Jesus, se abre a um processo onde
se opera uma verdadeira “ressurreição”, da qual a ressurreição final não é mais
que desenvolvimento e manifestação.
Confiemos em Deus e
nas suas promessas. Deixemo-nos guiar pelo Pastor de nossas almas e provemos de
sua fidelidade e providência, mesmo que pareça que o “sal” não nos chegará
mais.
1. Após a Libertação do Egito, Deus estabelece com o Povo de Israel uma Aliança que se concretiza no dom dos Dez Mandamentos. Por isso se diz que a proclamação dos Mandamentos se enquadra no contexto da Aliança. De fato, a proposta de Deus em firmar uma Aliança com seu povo é desenvolvida nos Dez Mandamentos (Cf. Ex 20,1-17).
Os mandamentos são prova do Amor de Deus por seu povo, manifestado através das mais extraordinárias intervenções na história e na vida do seu “eleito”, são o fundamento de sua fidelidade e do seu amor. Por isso o Decálogo é apresentado como Lei transbordante do amor de Deus, que, depois de haver libertado o seu povo da escravidão material do Egito, quer libertá-lo de toda escravidão moral das paixões e do pecado, para uni-lo a si em amizade e intimidade, numa bondade onipotente e misericordiosa, que espera da parte do homem fidelidade para com o querer divino.
Os mandamentos são, portanto, caminho de liberdade. Assim a Lei, mais do que uma imposição é vista como um dom: Palavra de Deus dirigida ao homem que espera dele uma resposta, fonte de bênçãos para quem as cumpre fielmente, preço do resgate de todo tipo de escravidão e alienação, meio de crescimento pessoal e comunitário, apelo à interioridade e caminho da comunhão com Deus.
2. Infelizmente Israel não foi coerente ou condescendente com a fidelidade proposta por Deus através dos mandamentos. Israel se desviou do caminho, abandonou e traiu o Senhor Deus muitas vezes.
Era preciso então que Jesus viesse não para mudar ou instaurar uma nova Lei, mas restaurar a Lei Antiga, completá-la, aperfeiçoá-la, sobretudo no tocante ao amor e a interioridade por parte do povo. Jesus supera a lei de Moisés ao apelar para a interioridade da mesma, a fim de libertar a Lei e o homem de todo formalismo e práticas vazias, a fim de que o homem seja reconduzido à experiência do amor de Deus.
Como nos ensina o Evangelho e o Catecismo da Igreja, Cristo resume os dez mandamentos da seguinte forma: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento (1º, 2º e 3º Mandamentos); Amarás o próximo como a ti mesmo (4º, 5º, 6º, 7º, 8º, 9º e 10º Mandamentos)” (Cf. Mt 22,38-39).
Podemos nos perguntar: Porque Jesus faz isto?
Porque Ele assim como o Pai nos quer livres!
Para o Filho de Deus o que importa é a liberdade e não a lei por si mesma. Liberdade que vai levar àqueles que ouvem a lei e a guardam em seu coração ao serviço do Reino, a tornar-se como Jesus, um “Servo por amor” e não “servo por causa da letra”.
3. É sob esta luz que consideramos o gesto ousado de Jesus a expulsar os profanadores do Templo. Cristo com este gesto ensina que Deus deve ser servido e adorado com pureza de intenção, que as relações dos homens devem ser retas e sinceras, assim como a relação com o próximo, na interioridade e não na exterioridade (Cf. Jo 2,13-25). Em outras palavras, a base destas relações deve ser o amor.
Jesus ainda refere-se a outro Templo, um de dignidade infinita: “o Templo do seu Corpo”. Aquele que ele afirma “destruir e em três dias reedificar”. Estas palavras só foram compreendidas por seus ouvintes, que num primeiro momento se escandalizaram, após sua morte e Ressurreição.
Cristo é rejeitado pelos comerciantes, cambistas e sacerdotes do Templo, porém esta rejeição servirá para o nascimento do novo centro do culto divino: não mais o Templo de Jerusalém e as pedras de sacrifício, mas o seu Corpo: “Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei” (Jo 2,19). Cristo se faz nova proposta de salvação da parte de Deus para o homem, pois quem quer adorar a Deus em espírito e em verdade deve fazê-lo em Cristo, mediante a fé.
Através do mistério pascal, Cristo substitui o Templo da Antiga Aliança pelo seu Corpo, um Templo vivo e digno da Trindade, que, oferecido em sacrifício pela salvação do mundo, substitui e anula de uma vez por todas os sacrifícios de animais que eram realizados no Templo de Jerusalém. Depois do Sacrifício do Cristo, nenhum outro tem razão de ser, pois Ele passa a ser o Centro da Nova Aliança, “Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os pagãos; mas para os chamados... poder de Deus e sabedoria de Deus” (I Cor 1,23-24).
O sinal da Aliança não é mais o sangue dos cordeiros oferecidos em sacrifício pelos pecados do povo, mas o Sangue do Cordeiro, o Sangue de Cristo. Por isto, o anúncio da Páscoa deixa de ser a libertação do Egito e passa a ser o Cristo crucificado. A salvação se obtém pela fé na Cruz, que é poder e sabedoria de Deus, porque trouxe em seus braços o único sacrifício capaz de dar a salvação. A via de salvação é uma só: Cristo crucificado que morreu e ressuscitou dos mortos.
4. Pode acontecer que no culto que prestamos a Deus ou na observância de algum dos mandamentos, olhemos mais para o lado exterior, o lado legalístico, do que para o interior da proposta. Ai é que nascem os pequenos e grandes profanadores do Templo, da religião e da Lei de Deus.
Deus é o “fiel”. Por isso a Aliança com Ele só pode ser rompida pelo homem. A Aliança que fazemos com Deus deve comprometer toda a nossa vida, para que o derramamento do Sangue do Cordeiro de Deus não tenha sido em vão. Por isso que devemos romper com os fingimentos, com a falsa modéstia, as preocupações temerosas, orgulho e egoísmo e testemunhar com coragem, mesmo diante das ironias e perseguições, que Cristo morreu para que tivéssemos vida e em seu Sangue o Pai sela conosco uma nova e definitiva Aliança para a nossa salvação.
A nossa Aliança com Deus não pode de modo algum ser reduzida a uma apressada visita dominical à Igreja ou a um passeio turístico e religioso a algum santuário, e nem de devoções externas ou freqüências convenientes aos sacramentos, pois o cristianismo não consta de práticas que devemos cumprir em determinados momentos ou de uma fidelidade periódica. Quem vive assim não está vivendo a Lei do Cristo, mas a sua lei pessoal.
Para Cristo a Lei é compromisso de amor. Para nós também deve ser compromisso que nos põe a caminho da plenitude e que nos permite recomeçar sempre que cairmos e desde que nos mantenhamos no caminho. O cristianismo não é simplesmente práticas, é compromisso!
5. O Evangelho nos diz que estava próxima a Páscoa dos judeus (Cf. Jo 2,13) e Cristo com o gesto que faz no Templo, o purifica para que a Páscoa seja celebrada sem mancha, ou seja, renova o culto que era ali prestado a Deus. Aproxima-se também a nossa Páscoa, e a Igreja repete este gesto nos convidando a purificar o Templo do nosso coração para que dele suba a Deus o culto mais puro, sincero e interior.
Portanto, é tempo de abrir os ouvidos ao chamado de Cristo, que nos comunica a Lei de Deus resumida na lei do seu Amor. A lei humana tem um inicio e tem um fim; a lei de Deus não! A Lei de Deus é regida pelo amor e para o amor não existe um “basta”, não existe limites, ele é sem fim!
Confortados pela misericórdia de Deus nos lembremos sempre de que “A Lei do Senhor Deus é perfeita, um conforto para a alma, palavras de Vida eterna, testemunho fiel, sabedoria dos humildes, precisa, alegria ao coração, brilhante, para os olhos luz, pura, imutável, correta, justa, desejável, palavra mais doce que o mel” (Cf. Sl 18,8-11).
Se quisermos ser verdadeiramente livres, o caminho para a Libertação é a Lei do Senhor Deus e o Sangue de Cristo derramado na Cruz.
1. A reflexão quaresmal traz à luz dois aspectos: as etapas fundamentais da História da Salvação e os fatos mais salientes da vida de Jesus até sua morte e ressurreição.
2. O pecado de Adão rompe a amizade do homem com Deus, fazendo com que Deus inicie uma série de intervenções para reconduzir o homem ao seu amor. Dentre estas intervenções destaca-se a Aliança com Noé e o fim do dilúvio, quando o patriarca oferece ao Senhor, em terra enxuta, um sacrifício de ação de graças pela salvação alcançada para ele e seus filhos (Cf. Gn 9,8-15).
A humanidade é purificada pelas águas do dilúvio e nasce como “nova”. A promessa de Deus é que nunca mais outro dilúvio ou outro fator de sua parte sucumbirá com a humanidade. Deus volta ao principio da Criação e mais uma vez quer entrar em relação com o homem e lhe oferece um pacto, uma Aliança. Para Ele esta aliança deve ser universal e eterna: “Eis que vou estabelecer minha aliança convosco e com vossa descendência” (Gn 9,9).
Deus promete não romper a Aliança: “Então eu me lembrarei de minha aliança convosco e com todas as espécies de seres vivos. E não tornará mais a haver dilúvio que faça perecer nas suas águas toda criatura” (Gn 9,15). Deus promete observar a Aliança, mas e o homem?
Deus é amigo do homem, e não seu adversário. Ele propõe a Aliança e a mantém, apesar de nossa infidelidade. Ao contrário do homem, o amor e a fidelidade de Deus são de sempre e para sempre. Porém, há um meio eficaz, mesmo sendo infiéis e inconstantes, de renovarmos a Aliança com Deus: a Eucaristia. O sinal da Aliança não está mais no arco-íris, mas no Sangue de Cristo, derramado por amor de nós e para a nossa salvação.
3. O Apóstolo Pedro exorta os cristãos ao sofrimento a exemplo de Cristo Jesus (Cf. I Pd 3,18-22).
A catequese de Pedro contém os elementos essenciais da profissão de fé que realizamos todos os domingos: Jesus morreu por nossos pecados, desceu aos infernos e ressuscitou para nos reconduzir a Deus. Segundo Pedro, todo este “caminho” que Jesus percorreu da morte a ressurreição se realiza em nós, pelo batismo, que ele explica como “purificação”, usando do simbolismo do dilúvio, que torna o homem apto a viver uma vida virtuosa, segundo a fé, a Palavra e a vontade de Deus.
As águas do batismo, enquanto destroem o pecado – como as águas do dilúvio haviam destruído os homens pecadores – nos salvam em virtude da Ressurreição de Jesus Cristo. O cristão muito mais do que Noé, é um remido através da água: não por meio do lenho da arca, mas por meio do lenho da Cruz do Senhor, em virtude de sua morte e ressurreição. Por isso o tempo da Quaresma desperta no cristão a recordação do batismo, que o purifica do pecado e o faz viver na fidelidade do Senhor, renunciando a Satanás para somente viver para servir a Deus.
4. Neste sentido torna-se oportuna a cena do deserto, onde Jesus luta contra Satanás e repele as insinuações contra Ele feitas.
Marcos, ao contrário dos outros evangelistas (Mateus e Lucas), não se detêm a descrever as tentações, mas as apresenta muito brevemente com apenas estas palavras: “E logo o Espírito impeliu Jesus para o deserto. Ai esteve quarenta dias e foi tentado pelo demônio” (Mc 1,12-13).
Marcos apresenta Jesus tanto na pregação do Batista como no seu batismo com sinais evidentes da sua messianidade: Ele é investido da força do Espírito Santo para realizar a sua missão. Por isso que ao narrar imediatamente após estes fatos da vida de Jesus as tentações no deserto, entendemos que Marcos vê como ponto fundamental na missão de Jesus a luta contra Satanás.
Assim como no Jordão quis Jesus juntar-se aos pecadores, como se fosse um deles, necessitado de purificação, assim também no deserto quer fazer-se semelhante a eles até na tentação, extremo limite consentido pela sua santidade e natureza divina. Aceitando a luta contra Satanás, da qual sai vitorioso, Jesus mostra que veio para libertar o mundo do domínio do príncipe das trevas, ao mesmo tempo em que mostra ao homem que ele também pode vencer o tentador.
Ao vencer o demônio Jesus anuncia a salvação, a realiza e dá inicio ao tempo do Reino de Deus: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Diante desta realidade eminente, Cristo exige do homem mudança de mentalidade, ou seja, uma conversão que proceda da fé.
5. Cristo é levado ao deserto pelo Espírito Santo, a fim de se preparar para a sua missão, por isso deixa os hábitos cotidianos, o ritmo de vida, os laços de família e amizade, para seguir um caminho que conduzirá à sua Páscoa. Esta vivência do Cristo no deserto na companhia do diabo já é uma antecipação do sacrifício de sua vida por amor de nós.
A fidelidade de Jesus ao Evangelho que Ele vai anunciar é posta á prova, antes mesmo de o anúncio começar. A nós, o anúncio do evangelho é feito em termos que nos levam a pensar que o Reino de Deus está presente, por isso a necessidade de mudarmos de vida e fazermos o que a realidade do Cristo Jesus nos propõe. Talvez seja essa a maior provação a qual somos submetidos: mudar de vida e fazer a vontade do Senhor, por isso só há um caminho, a Conversão!
A conversão é caminho de libertação, e quando o homem se esforça para trilhá-lo acaba encontrando o perigo das ilusões, e pode até perder-se na aspiração pela conversão em atos exteriores e práticas vazias. A conversão deve envolver “todo o homem”, não só como renúncia ao pecado, mas como nova orientação ao futuro. Isto se chama mudança e implica freqüentemente em crises de fé, em “estágios de deserto”, que não terminam no desespero, mas na mais profunda experiência de Deus.
6. Estamos prontos a crer no Evangelho? A cortar o que ficou para trás e levar a sério a Aliança que temos com Deus? A viver com consciência limpa? A deixar-se conduzir pelo Espírito Santo aonde Ele o quiser e a percorrer o caminho de Cristo rumo à sua Páscoa, com disponibilidade e todas as exigências de uma autêntica conversão? É possível tomar esta postura em tempos tão atribulados?
De fato, este nosso tempo é um verdadeiro “dilúvio”, onde se salvam os que, como Noé, não estão satisfeitos com o bem-estar alcançado por sua civilização, e crêem na Palavra de Deus, mesmo a custa de enfrentar o ridículo de construir uma arca. Salvam-se os que, como Cristo, deixam tudo para, com Ele, construir uma humanidade nova. Salvam-se os que crêem no Evangelho. Salvam-se os que deixam ser guiados pelo Espírito Santo. Salvam-se os que se abrem a um verdadeiro e autêntico processo de conversão.
A conversão ao Cristo Jesus deve se exprimir em todos os campos e todas as relações, um passo a cada dia, interrogando-se sempre sobre o que pode se fazer, e o desejo de querer fazê-lo para o alcance da salvação.
7. A Quaresma nos convida a crer no Evangelho, portanto, a nos libertar de todo ídolo e mitologia, a confiar plenamente no Cristo e em sua Palavra, a engajar-nos no caminho por Ele indicado, passando pelo sacrifício e a Cruz, visando a atingir a libertação da Páscoa, a ressurreição.
O cristão não está isento das tentações, pelo contrário, muitas vezes quanto mais se esforça para servir a Deus com fervor, tanto mais se esforça o demônio para impedir-lhe o caminho, como quis impedir a Cristo de cumprir a sua missão redentora. Por isso o cristão deve recorrer às armas usadas pelo próprio Jesus no combate com o demônio: penitência, oração e perfeita conformidade à vontade do Pai. Podemos resumir estes três aspectos como fidelidade, e quem é fiel à Palavra de Deus, quem dela se alimenta constantemente, não poderá ser vencido pelo Maligno, jamais.
A conversão e a fidelidade a Deus são armas eficazes na luta contra as tentações e o pecado. A conversão nos motiva a voltar ao estágio original que é a perfeição; a fidelidade a Deus, Cristo nos ensinou, nos mostrando que aquele que é fiel a Deus, por Ele é honrado num batismo que sepulta a nossa morte e nos dá uma nova vida, plena e ressuscitada em Cristo Jesus.
Sem. Rodolfo Marinho de Sousa
Primeiro Domingo da Quaresma (Ciclo A) – 25.02.2012
Cada ano, a Igreja se une ao mistério de Jesus no deserto, durante quarenta dias, vivendo um tempo de penitência e austeridade, de conversão pessoal e social, especialmente pelo jejum, a esmola e a oração, conforme o Evangelho de Mateus (Cf. Mt 6,1-6.16-18), proclamado na Quarta Feira de Cinzas, em preparação às festas pascais.
Neste contexto se configura a Quaresma: São cinco domingos mais o Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, que inicia a Semana Santa, também chamada Semana Maior. É este um tempo forte e privilegiado, em que fazemos nosso caminho para a Páscoa, renovando nossa fé e nossos compromissos batismais, cultivando a oração, o amor a Deus e a solidariedade com os irmãos. Tal austeridade deve se manifestar no espaço celebrativo, nos gestos e símbolos, como também no canto, para depois salientar a alegria da ressurreição, que transborda na Páscoa do Senhor:
• A cor roxa, as cinzas e a cruz lembram o caráter penitencial, de conversão;
• O espaço celebrativo deve ser sóbrio, sem ornamentação nem flores no altar;
• Não se recita nem se canta o “Glória”, assim como o “Aleluia”, que são aclamações jubilosas, marcadas pela festa e alegria, o que não combina com a Quaresma;
• É tempo de favorecer o silêncio musical. Por isso, os instrumentos devem acompanhar os cantos de forma discreta, somente para sustentar o canto; um teclado ou um violão apenas, silenciando os demais, para manifestar o caráter penitencial desse tempo. Sua função é apenas “prática”, na medida do necessário, para apoiar o canto;
• Cada tempo litúrgico tem seus cantos próprios; assim também a Quaresma. Cantos que expressem o conteúdo, os temas, a Palavra de Deus, enfim o aspecto do mistério pascal que celebramos. É preciso saber escolher bem os cantos, que acentuem a conversão, o perdão, a fraternidade e solidariedade, a vida, a luz, inspirados no Evangelho do dia. Mas sempre com os horizontes voltados para a Páscoa de Jesus, mistério central que celebramos em nossas liturgias.
• Neste tempo acontece no Brasil, já há mais de 40 anos, a Campanha da Fraternidade, que propôs, durante muito tempo, também cantos apropriados ao tema de cada ano, o que foi uma riqueza, mas também limitou o repertório dos cantos quaresmais. A partir de 2006 está havendo um esforço para se cantar o espírito e a liturgia da Quaresma, compondo-se apenas um Hino, que pode ser cantado no início ou no final da Celebração. A CNBB, em parceria com a Paulus, tem gravado uma série de CDs do chamado “Hinário Litúrgico”, apropriados para o Ano A, B e C.
• Cantos tradicionais e que já estão na memória do povo, devem fazer parte do repertório, como “Pecador, agora é tempo”, “O vosso coração de pedra” e “Prova de amor maior não há”;
• Não se cante o Abraço da Paz, que, aliás, nem faz parte do rito, mas valorize-se o canto que acompanha a fração do pão, o “Cordeiro de Deus”, pois Jesus é o Cordeiro que tira o pecado do mundo. O “Senhor, tende piedade de nós” também seja valorizado, além das aclamações e pequenos refrãos orantes. O chamado canto final poderia ser omitido, deixando o povo sair em silêncio. Poderia ser outra também a resposta à Oração dos fiéis, que em geral é “Senhor, escutai a nossa prece”, como por exemplo: “Jesus, Filho de Deus, tem compaixão de nós!” além de outras, sugeridas pelo Missal Dominical;
• É importante intensificar o silêncio, criando um clima orante já antes do início da Celebração e ao longo da mesma. Sobretudo no Ato penitencial, na Oração da Coleta, entre as leituras, durante a Narrativa da Última Ceia, após a Comunhão...
A Quaresma desemboca na Semana Santa assim chamada, porque nela celebramos os momentos mais importantes da nossa salvação: “Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único... Tendo amado os seus, amou-os até o fim.” (Jo 3,16;13,1). Diz-nos Evair H. Michels, em seu livro “Pastoral da Música Litúrgica – Dicas Práticas”: “Os ritos da Semana Santa devem ser realizados com particular solenidade, pois este tempo é o coração do ano litúrgico.”
“Cantar a quaresma é, antes de tudo, cantar a dor que se sente pelo pecado do mundo, que, em todos os tempos e de tantas maneiras, crucifica os filhos de Deus e prolonga, assim, a Paixão de Cristo... É um canto de luto, um canto sem ‘glória’ e sem ‘aleluia’, um canto sem flores e sem as vestes da alegria, um canto ‘das profundezas do abismo’ em que nos colocaram nossos pecados (Sl 130); um grito penitente de quem implora e suplica: ‘Tende piedade de mim, Senhor, segundo a vossa bondade, e conforme a vossa misericórdia, apagai a minha iniqüidade’(Sl 51,3)”. (CNBB, Hinário Litúrgico, fascículo 2, p. 5)
“E se alguém disser que não tem pecado, é mentiroso e faz Deus mentiroso”(Cf. 1 Jo 1, 8)
Parece incrível, mas há gente que não se enxerga!
Não enxerga a terrível realidade do pecado que existe dentro de cada um de nós e em volta de nós. Vemos por aí: tanta injustiça, violência, miséria, fome, corrupção, lares destruídos, menores abandonados. E nos perguntamos: “Tudo isso não é fruto de pecado do egoísmo e da maldade dos homens?”.
Vejamos a nossa vida: quantas vezes nós também somos egoístas e fazemos obras contrárias ao Espírito Santo de Deus; quantas vezes deixamos de amar a Deus sobre todas as coisas, com todo o nosso coração, com todas as nossas forças e com todo o nosso entendimento; quantas vezes usamos mal os dons que Deus nos deu: a liberdade, a fé a capacidade de amar, o sexo, e etc.
Pecado não é só matar e roubar. Pecado é deixar de fazer por querer a vontade de Deus em pensamentos, palavras, atos e, sobretudo, em omissões!
2. O amor de Deus é maior e mais forte que nossos pecados:
Foi Jesus que nos revelou, com sua vida e com suas palavras, a bondade e a misericórdia de Deus Pai. Seu próprio nome, Jesus, quer dizer:“Aquele que vai salvar o seu povo do pecado”,(Cf. Mt 1,21). Ele é: “O médico que veio curar os pecadores e chamá-lo para o arrependimento”(Cf. Lc 5,31-32).
Quem lembra das atitudes de Jesus para com os pecadores?
Jesus era Implacável contra a hipocrisia dos fariseus, que não se enxergavam e se achavam os bons; Ele tinha uma bondade incrível com os pecadores que queriam mudar vida!
Lembram da atitude de Jesus com Zaqueu? (Cf. Lc 19, 1-10); E com aquela mulher apanhada em adultério? (Cf. Jo 8, 3-11); ou com Pedro que o traíra? (Cf. Lc 22, 54-62).
Nos três casos, o Evangelho diz que Jesus somente “olhou para eles.”. Ah, aquele olhar de Jesus: aquele olhar silencioso que penetrava fundo no coração! Aquele olhar amigo, que sabe compreender, que apela, que aponta novos caminhos, que perdoa!
O pecado: o meu, o seu, o nosso pecado, Ele perdoa! Ele é “O Cordeiro de Deus que tira todo o pecado do mundo”(Cf. Jo 1,29).
Toda a vida de Jesus foi para resgatar e perdoar, foi para trazer a Vida novamente ao pecador, e sua morte também. Suas últimas palavras lá na cruz, foram: “Pai perdoa a eles!”(Cf. Lc 23,34). Como nos relata São Paulo, Verdadeiramente “Ele morreu pelos nossos pecados!”(Cf. 1 Cor 15,3).
No dia da ressurreição, ao manifestar-se aos Apóstolos, Jesus lhes deu a paz e, depois, soprou sobre eles, dizendo: “Recebam o Espírito Santo. Os pecados daqueles que vocês perdoarem serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados”(Cf. Jo 20,21-23).
Nasce assim o Sacramento da Confissão. Um sinal, uma prova do Amor, da Misericórdia e da Vontade que Deus tem sobre nós para que nos libertemos de nossas misérias e cheguemos por meio de sua Misericórdia, Amor e Perdão à Perfeição, à Santidade.
3. O que é mesmo Confissão?
O que, normalmente, o povo cristão e católico chama de "confissão" tem o nome de “Sacramento da Penitência”. “Penitência”, quer dizer “Conversão”, ou melhor: A Penitência leva à Conversão.
Converter-se é sair de uma situação de pecado para um jeito de viver conforme o Espírito de Cristo. A Conversão leva o pecador a dizer: “A vida que eu levo não está certa, eu vou mudar!”.
Celebrar ou participar do Sacramento da Penitência significa e concretiza na vida das pessoas a vontade de mudar, transfigura a conversão. E nisso, Jesus libertador está presente e nos diz como, um dia Ele disse a Zaqueu: “Hoje entrou o perdão e a paz no teu coração!”, da mesma forma Ele fala àqueles que o procuram nesse Sacramento.
E o sinal que pelo poder do Espírito de Cristo, nos reconcilia com Deus e com a Igreja é a Confissão, o Reconhecimento das nossas falhas e pecados.
Sim, quando pecamos, não só nos afastamos de Deus, como também da sua família, que é a Igreja. Sabemos que nem sempre é fácil confessar nossos pecados a um homem, que também é pecador, como todo mundo é. Mas lembremos que para Jesus não foi fácil sofrer e morrer pelos nossos pecados! E acreditemos: a conversão é algo profundamente humano que dá muita paz ao coração de quem a aceita!
Ao meu ver é até muito bom que o padre seja um homem, que também é pecador, como todo mundo: Já pensou se fosse um ser perfeito... Como poderia compreender nossas fraquezas? Sim, é bom ter um amigo cristão, que também luta para ser santo, alguém com quem possamos conversar profundamente e sem medo sobre a nossa vida, alguém que nos compreenda, alguém que possa nos apontar novos caminhos e, sobretudo, que possa (e só ele pode) dizer-nos: “Deus, Pai de Misericórdia, que pela Morte e Ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para a Remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. Eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.
Ao dizer estas palavras, o sacerdote estende as mãos sobre nossa cabeça, como sinal de perdão e do abraço de Deus Pai, e, nós respondemos, com o coração puro e cheio de alegria. “Amém”.
Não devemos ter medo de nos “Confessar”, mas sim acreditar no poder e Misericórdia de Deus manifestado neste sacramento. Quantas vezes cairmos, tantas outras Deus estará com sua mão estendida disposto a nos levantar, nos limpar e não apontar o nosso pecado, mas nos amar.
A nossa Igreja é rica em sinais e nos possibilita esse contato com a Misericórdia do Senhor pelo Sacramento da Confissão. É O Espírito Santo de Amor que age na pessoa do Padre que nos Absolve e nos devolve a liberdade de filhos e filhas de Deus.
O Sacramento da Confissão é um encontro de Dois Corações: Um despedaçado e ferido pelo pecado, o outro grande e abundante, desejoso para amar e perdoar; quando os dois se encontram se unem, o coração ferido se cura e se restaura com o desejo de amor e perdão do outro coração e assim alcança mais um passo rumo à santidade.
Creiamos, a Misericórdia de Deus existe e quer nos alcançar! Quantas vezes forem necessárias, procuremos um sacerdote e nos confessemos. A confissão é o Remédio para nossas dificuldades, feridas, pecados e principalmente para as nossas almas.
Texto elaborado para a Catequese com Grupo de Crismandos (24.07.2004)
Paróquia São Pedro Apóstolo, Taboão da Serra.
Muitas vezes e de diversos modos em nossa história nos deparamos com um grande, intenso e irrecusável convite de Deus para cada um de nós; O Senhor nos convida à Conversão, nos convida a vivermos e bebermos de sua misericórdia que é Infinita, diria SEM LIMITES!
Deus com seu Amor misericordioso nos convida dia após dia a mudarmos de vida, nos convida a deixarmos tudo para trás, a deixar tudo o que nos afasta de sua Misericórdia, nos dando assim a oportunidade para chegarmos à Santidade, à glória eterna.
O Amor e a Misericórdia do Senhor nos convidam constantemente a ouvir a sua Palavra, que traz para nós os meios e os caminhos necessários para a mudança e para o encontro pessoal com Ele.
Na Sagrada Escritura por diversas vezes percebemos Deus que convida o seu povo a ouvi-lo, a endireitar os seus caminhos e a mudarem o seu comportamento, a sua maneira de agir; e ao convida-los a isso, Deus promete morar com em seu meio. Percebemos que Deus convida o povo a uma mudança radical e total, e Ele mesmo nos diz que Vê tudo, que sabe de tudo.
Esse convite que Deus fez ao povo nos tempos biblicos, Ele também faz hoje a cada um de nós. Talvez não estejamos na mesma situação daquele povo, mas nós devemos aproveitar este tempo que vivemos e este momento para nos avaliar, ver como anda o nosso coração e a nossa vida diante da verdade, do nosso modo de agir e proceder, e sobretudo na prática do Amor ao próximo.
Talvez ninguém que leia este texto ou escute esta mensagem esteja oprimindo um órfão, uma viúva, um estrangeiro, ou derramando sangue inocente, roubando, matando, jurando falso, servindo a outros deuses literalmente, ao pé da letra. Mas e as nossas atitudes diante do mundo, como estão? Quantas e quantas vezes não fizemos tudo isso de diversas formas e nos apresentamos depois na casa de Deus querendo a Salvação sem mudar de vida, sem acertar, sem corrigir, sem se arrepender, sem ter buscado uma conversão sincera, profunda e íntima diante de Deus.
A Deus ninguém engana, a Deus ninguém faz de bobo, porque Ele vê e sabe de tudo! Ele podia muito bem nos julgar, nos condenar, nos esquecer, mas não! Ele nos dá a chance, a oportunidade, mil vezes se necessário for, para que possamos viver com Ele e Nele, limpos e imaculados, santos e irrepreensíveis. Deus prefere amar a condenar!
A conversão não se dá da noite para o Dia, mas a Misericórdia de Deus é Presente e Atuante todos os dias.
Não dá para sermos bons e maus ao mesmo tempo, não dá para brincarmos com a Misericórdia do Pai: Pecando hoje e pedindo perdão amanhã e no outro dia voltar no erro conscientemente e pedir perdão de novo e assim por diante.
Temos que nos colocar nos lugares dos semeadores apresentados no Evangelho, ou eu sou o semeador bom, ou eu sou o semeador mau. Claro que Deus prefere que sejamos todos bons, semeadores fiéis de seu Campo, de seu Reino, semeadores da verdade, justiça, paz, semeadores da sua Misericórdia. Mas, pelos nossos erros humanos acabamos sendo também os maus semeadores que semeiam a discórdia, a intriga, o egoísmo, a presunção, a ambição e tantas e tantas outras coisas e sentimentos que certamente não vem de Deus.
Infelizmente, o pecado faz parte da nossa realidade! Somos pecadores, limitados, errantes e precisamos muito da Misericórdia de Deus para acertarmos e caminharmos.
A conversão é um processo para toda a Vida. E é muito difícil não errar, por isso que Deus quer ser o bom semeador na nossa Vida e História. É Ele o grande agricultor e cultivador que lança a Semente da Vida que muitas vezes é misturada a Semente do joio, do pecado e do erro, sinais da nossa fraqueza humana.
Crescemos diante de Deus como trigo e joio, e Ele durante a nossa vida e caminhada vai podando e queimando o nosso joio para que nós possamos ser o seu trigo Santo e assim dar frutos depois de colhido, fazer germinar a vida depositada em nós através de nossos dons e talentos e assim viver a sua Misericórdia de maneira abundante e sensível.
A nossa imperfeição é natural da nossa humanidade, mas nós podemos almejar a perfeição: Basta ouvirmos o convite de Deus para mudarmos e assim vivermos com Ele, claro que isso não vai se dar do dia para noite, mas só vai acontecer a partir do momento em que cada um optar e não só optar, mas viver fielmente essa novidade de vida e esse convite de mudança diária.
Precisamos viver a nossa conversão dia após dia, sermos bons semeadores do Reino, comprometidos com a Misericórdia de Deus e empenhados em construir uma vida nova para nós mesmos e para os outros.
Nos lancemos na Misericórdia do Pai e deixemos que Ele nos conduza no Caminho rumo à Santidade.
Texto escrito para a Celebração do 2o. Dia do Triduo da Festa em honra de Santa Ana(24.07.2004)Paróquia São Bento - Com. Santa Ana.
1. É bom recordar no hoje de nossa história de algo maravilhoso, uma alegria para a nossa vida e a nossa alma. Nos enchemos hoje desta grande alegria, pois Deus quer falar conosco, quer ter dialogar conosco seus filhos e filhas. Aliás, Ele fala a todo o momento com aqueles que se abrem à sua vontade.
Professamos a nossa fé em um Deus que é fiel, misericordioso, que não volta atrás de sua Palavra. Um Deus que não nos abandona, que continua a nos chamar e a se comunicar conosco através dos acontecimentos da nossa vida, desde o menor ao maior, à conversão e a obediência. E tudo que Ele pede em troca de nós, é a nossa sinceridade, a nossa vontade e disposição em estar em sua presença, cumprir a sua vontade e escutar a sua voz.
2. Deus fala conosco! E ele, Deus, nos dá a sua Palavra para nos dirigir, pois nos ama. E além de nos falar por meio dos acontecimentos do dia a dia, Ele também usa de “enviados”, para se comunicar conosco (Cf. II Cr 36,15).
Aqui nos questionamos. Nós ouvimos a voz de Deus ou a desprezamos? Damos atenção ou não àqueles enviados por Deus para nos comunicar a sua fala, a sua Palavra? (Cf. II Cr 36,16s.).
Vamos deixar de lado este questionamento, e continuar a nossa reflexão, procurando na mesma alguma resposta.
3. Deus tem desígnios para todos nós, e para entender os desígnios de Deus é preciso escutá-lo com o coração e com os ouvidos, é assim que Ele nos mostra a sua fidelidade, colocando sua graça, sua vida e seus planos em nossos caminhos. Ele fala, e nós somos convidados a responder. À Fidelidade de Deus, respondemos com nossa fidelidade que deve sempre ser renovada, por meio da nossa fé e escolhas.
Veja só que coisa maravilhosa: Ele, Deus, não falou somente aos personagens bíblicos, e ali parou de “falar”, Ele continua a nos falar! No entanto, como já dizemos, é preciso prestar atenção naquilo que Ele mesmo coloca em nossa vida, e é preciso também saber acolher a Palavra de Deus no hoje da nossa história.
4. Nos lembramos e somos lembrados constantemente de nossa realidade: nós somos pecadores, e como nos diz São Paulo, o pecado nos fez morrer, mas de Deus nós recebemos de novo a vida pelo Cristo Jesus, Salvador e Redentor (Cf. Ef 2, 5).
Outrora, Deus nos falou pelos antigos e pelos profetas, que transmitiram a sua Palavra boca a boca e depois pela Escrita. No entanto, com Jesus, Ele renova o modo de se comunicar com o homem, pois, em Jesus sua Palavra se encarna. Jesus é a Palavra de Deus viva, encarnada, Verbo eterno, que continua a ressoar em nossos ouvidos como doce, suave e ao mesmo tempo forte voz de Deus (Cf. Hb 1,1-2)
Deus falou e fala conosco, quando nos salvou e quando nos recordamos desta salvação que foi movida tão somente pelo seu amor. Ele nos fez ressuscitar com o Cristo Jesus e nos garantiu assim um lugar ao seu lado no céu, como continua a nos falar São Paulo, mostrou-nos a sua graça, e é por essa graça que somos salvos mediante a nossa fé. Portanto, a salvação não depende de nós, ela é dom de Deus, pois vem somente dele! (Cf. Ef 2,6-9).
5. No entanto, a nossa salvação custou um preço, e um preço alto, um preço de Sangue. Para isto, foi necessário que Jesus fosse levado à Cruz, morresse em nosso lugar, derramasse o seu Sangue e é impossível para aquele que crê nisto não ouvir a voz de Deus dizendo diante da Cruz do Cristo: “Foi por você, porque eu te amo com amor eterno!”.
Deus nos ama não com um amor humano, mas, com um amor que é só dele. Encontramos expressão deste Amor de Deus, naquela passagem do Evangelho de João, conhecida por todos nós: “Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho Unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas, tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Não tem como não dizer que o amor de Deus é um amor que Salva, e a expressão deste amor é o Cristo Jesus: Ele veio para nos salvar!
Um pouco mais além neste mesmo capítulo do Evangelho de João, vemos duas coisas importantes. Primeiro, quem crê em Jesus, se aproxima da luz, vive longe das trevas e iluminado pela luz do próprio Cristo deixa transparecer as suas obras. Segundo, sem rodeios Jesus afirma, que quem crê nele está salvo, e quem não crê está condenado!
Não vejo isto de outra maneira, a não ser como voz de Deus a nos falar, que é preciso crer em Jesus e nele ter a vida eterna!
6. Deus continua a falar.
Hoje, num mundo abafado por um secularismo dilacerante de valores e ideologias anti-cristãs, Deus não parou de falar, embora, vivamos em uma realidade de uma sociedade que não se intitula mais cristã, que se diz laica, e assim quer calar a voz de Deus. Porém, trata-se de uma tentativa frustrada de calar a voz do Criador, pois Ele continua a falar nas comunidades cristãs, às vezes pequenas, que se reúnem em seu nome e são chamadas a ser profetas da diferença, e mais do que isso, são chamadas a ser voz de Deus em um mundo tão corrompido pelo egoísmo e por tantos valores distorcidos que tiram o olhar do homem do Cristo Jesus e seus ouvidos da Voz de Deus, inserindo os homens e mulheres de hoje não em um caminho para a vida, mas em uma cultura cruel de morte.
Nós ligamos nossos televisores, e só vemos tragédias de ordem natural e tantas outras provocadas pelos homens. Vemos choro, ranger de dentes, ódio, violência, falta de amor, caridade e perdão, polêmicas acerca de valores que nós cristãos somos convocados a conservar como a questão do sexo somente após o casamento e de nunca consentirmos que o aborto seja realizado em qualquer hipótese; e ainda somos obrigados a engolir dizeres que falam que a Igreja não tem caridade ou é injusta ao defender estas coisas, que vivemos no passado e que enquanto Igreja não podemos interferir na vida e nas escolhas das pessoas.
7. Deus saiu de cena? Está ausente? Onde Ele anda?
A impressão que temos é de que Deus nos abandonou. Porém, a verdade é que Ele está mais próximo do que nós imaginamos, mesmo diante desta realidade perversa que nos circunda. Ele está presente e age poderosamente levantando homens e mulheres de coragem e de fé, que se empenham em fazer com que a sua voz permaneça viva nas mentes e nos corações.
Nós, em nossa geração atual, tivemos a oportunidade de testemunhar a vida e obra de dois gigantes, só para citarmos exemplos desta intervenção de Deus.
O primeiro, João Paulo II, o Papa da Paz, que fez tudo que pôde para reunir aqueles que crêem em Deus e em seu Filho Jesus pelos laços que nos faz ser um único Povo criado por um único Deus. Quando faleceu e parecia que tinha fracassado, o impensável aconteceu, praticamente todas as nações e religiões se reuniram em torno de seu corpo sem vida em Roma, para celebrar a vida de um homem que viveu para proclamar a paz de Deus e a unidade por Ele tão querida. Ao meu ver, este momento foi uma epifania, ou até mesmo uma profecia, daquilo que irá acontecer nos próximos tempos, isto se o homem abrir verdadeiramente sua vida à voz de Deus, e não tentar muda-la, moldando-a às suas próprias convicções.
Lembramos também de Madre Teresa de Calcutá, que diante da pobreza e da morte literalmente falando na Índia, fez a diferença e lançou-se em uma obra sem precedentes, sem estrutura, desacreditada por muitos e que tem colhido muitos frutos para o Reino, para a surpresa de todos.
Quem pode dizer que João Paulo II, Madre Teresa e tantos outros não foram verdadeiramente voz de Deus na humanidade?
8. Podemos citar aqui ainda, o Papa Bento XVI, que com coragem e certamente impulsionado pelo Espírito, em pleno século XXI, diante de tanta polêmica acerca do aborto e da aids, em visita à África neste ano de 2009, denunciou e condenou à viva voz o uso da camisinha, dizendo que ela não é solução, mas, parte do problema no caso da aids no país, e ainda condenando veemente o aborto, defendendo o direito a vida antes de tudo. Aqui, eu me pergunto: “Não seria esta uma das formas da voz de Deus ecoar em nossos ouvidos hoje?”.
A resposta da sociedade para esta posição do Papa foi imediata: “O papa é cruel, o papa não tem caridade, ele é desumano”. Isso porque uma sociedade “laica” acha, porque não acredita, somente acha, que as coisas se resolvem assim facilmente, e não se dá conta de que uma camisinha não é suficiente para impedir a contaminação pela aids e que “legalizando o aborto” só se resolve um “problema de percurso”, esquecendo-se que esta “solução” é responsável por milhares e milhares de milhares de assassinatos “legais” em todo o mundo, porque simplesmente é um direito da mulher decidir se quer ou não prejudicar o seu corpo, trazendo nele um novo ser. Não seria de Deus o direito de decidir sobre a vida? E o que é pior ainda, muitos que se dizem católicos são a favor do aborto, mas, isto é pauta para outra reflexão.
9. Pois bem, voltamos ao questionamento primeiro desta reflexão. Ouvimos a voz dos “enviados” de Deus, como voz de Deus mesmo ou as desprezamos? Deus nos fala de diversas maneiras: na Igreja, na Palavra, na Eucaristia, e por meio dos seus representantes, nossos lideres espirituais, nossos pais, nossos superiores. Estes são, nós querendo ou não, os enviados de Deus, a quem Ele “empresta a sua voz” para conosco dialogar. Será que se quisermos viver debaixo da vontade de Deus, não deveríamos dar atenção à sua voz por meio destes? Deste modo – ouvindo – a nossa fé se torna mais madura, responsável e consciente em relação a todas estas questões.
Porém, temos que ser francos e afirmar que a realidade do homem em relação à escuta é diferente desta exposta aqui.
10. A realidade é que o homem de hoje, mal ouve a voz do seu semelhante, e por isso, não se interessa pela voz de Deus, e quando Deus quer falar, abafa a voz do Criador, a distorce, faz com que a sua própria voz esteja acima da voz de Deus. E ai, acontece o que acompanhamos dia após dia em nossas vidas: Deus vai perdendo pouco a pouco o seu lugar na vida e na história da humanidade.
No entanto, Deus nos surpreende. Mesmo diante desta realidade tão triste, Ele continua a amar não só aqueles que seguem a sua voz, mas também àqueles que fogem ou se escondem dela. Deus nos ama como somente Ele pode amar, e por esse amor quer falar conosco, ter contato, intimidade. Ele nos busca. Muitas vezes nos escondemos ou fugimos, mas, Deus não se cansa de nos procurar, pois Ele quer estar perto de nós.
Temos um Deus próximo de nós, e Ele quer ouvir a nossa voz lhe dizer: Fala Senhor! Com os ouvidos e o coração disposto, deixemos Deus falar em nossas vidas, deixemos-o ser Rei e Centro de nossos corações. E nos alegremos, pois Ele vive e está no meio de nós, e continua a nos falar, nos convocando a sermos porta-voz do seu Reino e do seu Plano de Amor.
Ele é a nossa única esperança!
Fala Senhor! Precisamos ouvir sua voz!
Texto escrito para a Celebração do 4o. Domingo da Quaresma (22.03.2009 - Ano B)
Paróquia Todos os Santos - Com. Santa Emília
Ao ler o trecho de Ezequiel 18, 21-28, percebemos que Deus é puramente misericórdia, perdão e amor. “Se o ímpio se arrepender de todos os pecados cometidos, guardar todas as minhas leis e fizer o que é direito e justo, viverá com certeza e não morrerá” (v. 21).
A vida de Deus em nós se manifesta justamente nos nossos atos, e principalmente na nossa adesão a Ele, quando nós saímos das nossas fraquezas, ou melhor, as reconhecemos, e voltamos o nosso Coração a Ele. Se arrepender dos pecados, é ressuscitar o coração e caminhar no caminho justo de Deus.
A Misericórdia de Deus apaga as nossas faltas e nos leva a plenitude de vida.
Quando nos arrependemos das nossas faltas, Deus esquece o mal cometido, pois, Ele deseja em primeiro lugar a vida de todos os seus filho e não a morte. Porém, devemos sempre observar aquilo que Deus quer de nós, nos esforçarmos para vencermos as nossas limitações, o pecado e os atos maus que muitas vezes somos influenciados a cometer.
Se mantivermos a nossa vida na infidelidade a Deus, não poderemos viver a vida de Deus, mas acabaremos comprando a nossa morte por tais atos. Afinal, Deus é sempre fiel, quem é infiel e injusto, é sempre o homem, que muitas vezes não se abre a graça e ao Amor de Deus.
Para conservar a vida, precisamos sim nos arrepender e caminhar na integridade. Todos nós precisamos nos lembrar diariamente disso, procurar os meios necessários, para fazer a devida manutenção da nossa vida em Deus, para que não morramos e sim vivamos. Por isso, é necessário participar das Missas, momentos celebrativos que a Igreja nos oferece, e, sobretudo nos encontrarmos com a Misericórdia de Deus no Sacramento da Penitência, confessando humildemente os nossos pecados, pois foi, para ganharmos a salvação e caminharmos rumo à Vida eterna que Deus nos deu esse presente.
São Pio de Pieltrecina já dizia que no confessionário se entra morto e sai ressuscitado. O pecado é morte, é ausência de Deus, e para aqueles que são Filhos de Deus, ouvem a sua mensagem e procuram viver segundo aquilo que Deus diz, não se pode permanecer nas trevas do pecado, mas sim, no caminho da justiça e no reconhecimento das próprias faltas.
E é por isso que Jesus nos adverte no Evangelho que devemos ter condutas favoráveis que nos levem a viver a justiça, e não qualquer justiça, mas uma justiça integra e são que reflita em nós a necessidade diária de reconciliação com Deus e com os irmãos. (Cf. Mateus 5, 20-26).
Temos que ter claro nas nossas mentes e corações que seremos julgados conforme aquilo que fizermos nesta vida. Por isso, que ao oferecer a nossa vida e tudo aquilo que somos no altar de Deus, precisamos antes, compreender o amor e nos reconciliar conosco, com Deus e com os nossos irmãos.
Assim, colocamos não só a nossa vida no altar, mas o desejo de viver a Vida de Deus e a sua Misericórdia, e também a vida daqueles, que podem ter sido feridos pela nossa conduta. Dessa maneira, por meio da reconciliação e reconhecimento de que somos falhos, chegaremos ao céu, e seremos dignos de oferecer a nossa vida no Altar de Deus, para que se manifeste em nós o seu amor, e assim estarmos prontos para continuar seguindo no caminho de justiça.
Lembremos sempre das palavras de João que nos diz que só é possível amar a Deus se amarmos também os nossos irmãos, pois só quem ama chega ao conhecimento de Deus. (Cf. I João 4, 7-21). É o Amor que nos leva ao perdão, é o Amor que nos traz a consumação da Salvação!.
Texto escrito para a Celebração da Sexta Feira da 1ª. Semana da Quaresma (02/03/07)
Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora - Com. N. Sra. Aparecida.
1. “Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da escravidão” (Ex 20,1-17).
O nosso Deus é um Deus libertador. O único Deus que podemos ter e o único também que tem o poder de nos libertar (Cf. Ex 20,3-5). Aquele que é misericordioso com os que o amam e seguem os seus preceitos (Cf. Ex 20,6). Estamos falando de um Deus que quer ver seus filhos e filhas livres ao seguirem a sua lei, lei que Ele nos dá em forma de mandamentos.
Talvez nos pareça estranho, um Deus que se diz libertador, nos querer livres ao mesmo tempo em que nos impõe mandamentos. Mas, de fato, com os mandamentos, expressão de sua lei, ele nos leva a sermos verdadeiramente livres, desapegados de nossas paixões e vícios, se cumprirmos fielmente àquilo que Ele nos indica.
2. O livro do Êxodo nos apresenta os “Dez Mandamentos” (Cf. Ex 20.7-17), que nós bem conhecemos ou deveríamos conhecer, uma vez que os aprendemos na fase da catequese preparatória para a primeira comunhão.
Eles são preceitos de Deus, que devem ser guardados por toda a nossa vida.
Vamos então, relembrar resumidamente a nossa catequese sobre os “Dez Mandamentos”?
3. Os Dez Mandamentos da Lei de Deus
• Primeiro Mandamento: AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS!
O mandamento nos recomenda a Amá-lo de fato sobre todas as coisas, ou seja, não trocar Deus por qualquer artigo de luxo que se apresente à nossa frente! Quem ama a Deus, o ama de todo coração, de toda alma e de todo entendimento.
• Segundo Mandamento: NÃO TOMAR SEU SANTO NOME EM VÃO!
O nome de Deus é Santo, e quantas vezes nos esquecemos disso? É preciso pronunciá-lo com docilidade, com respeito, com reverência e adoração.
• Terceiro Mandamento: GUARDAR DOMINGOS E FESTAS DE GUARDA!
Infelizmente qualquer coisa que se julgue suficiente e mais importante que a Missa, nos impede de ir à Igreja. O mandamento nos motiva a ter zelo pela casa e pelas maravilhas de Deus atualizadas no que a Liturgia celebra hoje.
• Quarto Mandamento: HONRAR PAI E MÃE!
Feliz é aquele que vê em seus pais o reflexo do próprio Deus, por isso os filhos são chamados a honrar os seus pais, e vem acompanhado de uma promessa que vemos na carta de São Paulo aos Efésios, capítulo 1, versículos 6 em diante que “Aqueles que honram seus pais, terão vida longa sobre a terra”; porém, quantos ainda os maltratam, os jogam em asilos frios, não os valorizam e até mesmo tiram a vida de seus pais como vemos nos meios de comunicação. O quarto mandamento da lei de Deus torna-se hoje um grito de denúncia e de apelo para que a sociedade veja a família mais uma vez como “Presença de Deus no mundo” e não como sinal de exclusão e de morte.
• Quinto Mandamento: NÃO MATAR!
A vida é o dom mais precioso de Deus, e só cabe a este dá-la ou ceifá-la. No entanto, não se mata somente tirando a vida do próximo, se mata também por meio de calúnias, mentiras e fofocas. Se minha boca não é capaz de amar ou honrar o irmão, que ela se cale!
• Sexto Mandamento: NÃO PECAR CONTRA A CASTIDADE!
Nosso corpo é templo do Espírito Santo de Deus, portanto, é chamado a ser puro e santo. Quem o conserva assim? Eu! Logo, sou chamado a evitar o máximo às tentações da carne, para que eu me sinta verdadeiramente livre e não prisioneiro do próprio corpo.
• Sétimo Mandamento: NÃO FURTAR!
O que dignifica o homem é o trabalho, e Deus certamente o abençoa com os bens diante de seu esforço. Será justo roubar o fruto do trabalho de alguém?
• Oitavo Mandamento: NÃO LEVANTAR FALSO TESTEMUNHO!
Toda e qualquer pessoa tem o direito de gozar de sua boa fama. De novo, dizemos: se não consigo honrar alguém com minhas palavras, que eu me cale, e não o fira com mentiras e falsidades!
• Nono Mandamento: NÃO DESEJAR A MULHER DO PRÓXIMO, OU O HOMEM DA PRÓXIMA!
O mandamento convida àqueles que pretendem unir-se em matrimônio a guardar a castidade, e, sobretudo, a respeitar aquele ou aquela com quem vão viver. Isto se chama respeito, se chama amor, e não qualquer amor, mais o amor de Deus que uniu ou irá unir duas pessoas.
• Décimo Mandamento: NÃO COBIÇAR AS COISAS ALHEIAS!
O último mandamento vai nos alertar sobre a inveja, um verdadeiro câncer presente na história da humanidade, que nos leva a cobiçar ou desejar o que é do outro, levando até a morte muito facilmente, uma vez que a inveja leva o homem a querer até mesmo estar no lugar do outro, ou pior, ser o outro.
4. Depois deste olhar catequético sobre os mandamentos da Lei de Deus, podemos agora vê-los da seguinte forma: Eles são “leis”, e a lei aqui, sendo de Deus, é sinal da Aliança dele com a humanidade, e que é fundamental na Salvação do gênero humano. Os mandamentos são intervenção de Deus na vida do homem para que ele olhe para a sua vida e se renda a Salvação oferecida por Deus. Mais do que isso, os Mandamentos são Palavra de Deus que cobre todo o campo religioso e moral da vida de alguém, tornando-se assim para o homem que neles crê e os cumpre caminho pleno de liberdade.
Deus Pai ao nos dar os mandamentos age como o “Divino Legislador” e nos dá a lei não como obrigação, mas como dom da sua vontade! “A lei é mais do que uma imposição, ela é um dom!” Ou seja, a lei é Palavra de Deus que espera resposta, é fonte de bênção para quem é fiel a ela, é preço de resgate da escravidão, é meio de crescimento, é caminho da comunhão com Deus.
5. Certamente Deus não queria a sua lei cheia de formalidades e preceitos a serem cumpridos por meio de normas e ritos e mais blá-blá-blás, que levasse o homem tão somente a exterioridades. Ele quis uma lei que tivesse por base o amor, que fosse interior, ou seja, estivesse presente no coração do homem e o levasse a ter um diálogo de amor sincero com o seu Criador.
Neste ponto aparece Jesus como “um novo legislador”, que não muda uma vírgula da lei de Deus e daquilo que o povo viveu seguindo esta lei, mas dá a ela um novo sentido, o sentido que Deus o quis primeiro.
O Cristo Jesus que se revela pela sua cruz como poder e sabedoria de Deus (Cf. I Cor 1,22-25), resume toda a lei do Pai de dez para dois mandamentos, e usa como base aquilo que Ele pregou durante toda a sua vida, o Amor – desejo de Deus para o cumprimento de sua lei por parte de seus filhos e filhas.
Como nos ensina o Evangelho e o Catecismo da Igreja, Cristo resume os dez mandamentos da seguinte forma: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento (1º, 2º e 3º Mandamentos); Amarás o próximo como a ti mesmo (4º, 5º, 6º, 7º, 8º, 9º e 10º Mandamentos)” (Cf. Mt 22,38-39).
Podemos nos perguntar: Porque Jesus faz isto? Porque Ele assim como o Pai nos quer livres!
Para o Filho de Deus o que importa é a liberdade e não a lei por si mesma. Liberdade que vai levar àqueles que ouvem a lei e a guardam em seu coração ao serviço do Reino, a tornar-se como Jesus, um “Servo por amor” e não “servo por causa da letra”.
6. Com isto, entendemos que os mandamentos nos ensinam, sobretudo, a fidelidade de Deus! Deus é fiel, o homem nem tanto! A nossa fé e fidelidade exigem de nós coragem. Quem ama os mandamentos ou a lei de Deus, ama a Deus e as coisas de Deus, busca e quer beber da sua fidelidade, vai ao seu encontro, sobretudo em sua casa, a Igreja “Templo”, lugar de encontro.
Diante disto, o zelo pela casa de Deus nos consome? Temos a mesma coragem de Jesus, ou deixamos com que os vendilhões e aqueles que não respeitam a Deus e os seus mandamentos habitem em sua casa? Como nos posicionamos: somos vendilhões ou amantes da casa de Deus? (Cf. Jo 2,13-17)
Afirmo mais uma vez: A nossa fé exige coragem! Coragem para romper com tudo aquilo que nos afasta da Lei e do Amor de Deus.
Hoje, ao celebrarmos a Eucaristia, (na casa de Deus, diga-se de passagem) vemos sob a aparência do pão e do vinho, a atualização dos Dez Mandamentos, no Corpo e no Sangue do Senhor Jesus. Isto acontece porque Deus é fiel em sua Palavra e jamais volta atrás em suas promessas.
7. E nós, mesmo diante desta realidade grandiosa e maravilhosa, tantas vezes nos portamos como “farisaicos” com as leis de Deus, pois a Missa se reduz a uma visita apressada; as peregrinações aos lugares santos e de testemunho da fé tornam-se passeios turísticos; fazemos atos de caridade e nos propomos a nos converter apenas uma vez por ano, por ocasião da Quaresma; confessamo-nos quando aparece um tempo, e por ai vai. Perdeu-se em meio a esta loucura que vivemos no século XXI, o amor e o temor pela Lei de Deus.
É preciso que nos lembremos que nós iremos ser julgados conforme a Lei do Amor, que é o Mandamento de Cristo, nosso Salvador. O “medidor” do nosso julgamento diante de Deus, naquele dia feliz que o iremos encontrar face a face, será o quanto nós amamos suas leis e sua Palavra.
8. Portanto, é tempo de abrir os ouvidos ao chamado de Cristo, que nos comunica a Lei de Deus resumida na lei do seu Amor. A lei humana tem um inicio e tem um fim; a lei de Deus não! A Lei de Deus é regida pelo amor e para o amor não existe um “basta”, não existe limites, ele é sem fim!
Confortados pela misericórdia de Deus nos lembremos sempre de que “A Lei do Senhor Deus é perfeita, um conforto para a alma, palavras de Vida eterna, testemunho fiel, sabedoria dos humildes, precisa, alegria ao coração, brilhante, para os olhos luz, pura, imutável, correta, justa, desejável, palavra mais doce que o mel” (Cf. Sl 18,8-11).
Se quisermos ser verdadeiramente livres, somente a “Lei do Senhor” nos libertará!
Testo escrito para a Celebração do 3º. Domingo da Quaresma (15.03.2009 – Ano B)
Paróquia Todos os Santos (Com. Senhor Bom Jesus)