"Senhor, tua Palavra é luz no meu caminho e lâmpada para os meus pés! Creio que por meio da tua Palavra o Universo se formou; Creio que por meio da Tua Palavra a terra se firmou; Creio que Tua Palavra, o Verbo Eterno, se encarnou em nosso meio: Jesus, és a Palavra Viva de Deus Pai, Palavra que permanece viva em nosso meio, e continua a ser inspirada e renovada pelo Santo Espírito. Tudo pode passar, as ervas podem secar, as folhas podem cair, o céu e a terra passar, mas, tua Palavra meu Deus, jamais passará. E enquanto eu viver quero emprestar minha voz a Ti para que continueis falando ao coração dos homens e mulheres deste tempo! Fala-me Senhor, fala em mim Senhor, fala por mim Senhor!"
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domingo, 12 de setembro de 2010

A Misericórdia Divina (Reflexão para o 24o. Domingo do Tempo Comum, Ano C)

Eu gostava de colecionar bolinhas de gude e cheguei a ter quase mil unidades, mas havia uma opaca, de cor avermelhada e amarela que parecia uma pedra preciosa e era a minha predileta. Um dia dei pela falta da minha jóia rara e fiquei alguns dias “amuado” e minha mãe, vendo a minha súbita tristeza, lembrou-me que eu possuía mil, ela não compreendia que aquela era minha predileta, cuja beleza todos os meninos da região admiravam, mas ela era unica e toda minha. Uma semana depois de intensa procura, acabei encontrando-a no fundo do quintal e minha alegria foi tão grande que sai pulando pela calçada e adentrei pela casa, para que todos soubessem que havia achado a minha bolinha perdida. 

Minha mãe, que nada entendia de bolinhas de gude raras, não entendia minha predileção por aquela bolinha especial, e talvez achasse que era uma perda de tempo dar tanta atenção a uma só deixando de lado as outras mil. É essa a linha de raciocínio das parábolas apresentadas no evangelho desse domingo, da moeda perdida, da ovelha desgarrada e do Filho pródigo. 

A diferença está que para mim, aquela bolinha era especial e valia mais que as outras, porque era mais bonita e tinha um atrativo a mais, a moeda que a mulher havia perdido era igual às outras, mas não estava mais diante dos olhos de sua dona, a ovelha nada tinha de diferente das demais, porém estava perdida, sem abrigo e sem alimentação, foram essas as preocupações da mulher e do proprietário das ovelhas. O coração de Deus também é assim, ama de um modo pessoal e especial a cada ser humano, assemelha-se aquela mãe que só consegue dormir quando chega o último dos filhos na madrugada. 

Em nossa sociedade predomina um modo de pensar que é contrário, achamos que é perda de tempo dar atenção a quem não tem talento, a quem não é direito, a quem enveredou pelo caminho do mal, a quem se perdeu nas drogas e nos vícios, a quem destruiu a família, a quem não estuda e nem trabalha, e no campo religioso, a quem se tornou pecador e não parece disposto a converter-se. “Esse fulano não tem jeito, esse sujeito é irrecuperável, para esse não adianta falar de Jesus” quantas vezes não ouvimos afirmações como essa, na escola, na família, e até na comunidade! Tem muito cristão encabeçando lista a favor da pena de morte. Será que vale a pena falar de Deus a um traficante, falar sobre o amor manifestado em Jesus a favor de todos e de cada homem? Quantas ovelhas desgarradas, quantas moedas perdidas, quantas bolinhas de gude, lindas, feitas a imagem e semelhança do Criador, que estão apenas sujas, desfiguradas, jogadas em um canto qualquer. 

As pessoas facilmente desistem da vida, do amor, desistem de viver bem com outras pessoas, cada um quer fazer as malas e tomar o seu rumo, viver de maneira desenfreada, sem virtudes e sem compromisso, achando que irão assim encontrar a felicidade, quem desiste de amar, jamais será feliz! A falta de amor nos faz passar fome, e nos joga na miséria, fomos criados para viver no amor e Deus é a fonte que nos alimenta, longe dele, a nossa vida perde totalmente o seu sentido. 

Há um filho pródigo em cada um de nós, que se ilude correndo atrás dos amores fantasiosos que o mundo nos oferece, não temos noção do quanto o Pai nos ama, não percebemos que moramos na casa de Deus e que o seu coração de Pai nunca para de bater por nós. Sempre há um dia que deparamos com o vazio, diante das “lavagens” de porcos que não nos alimenta. Voltamos para a casa do pai na condição de mendigos, sujos, rasgados e cheirando mal, e o Pai, mal nos avista vem correndo ao nosso encontro, nos abraça apertado e nos cobre de beijos, não se importando que estejamos impuros, joga sobre nossa miséria uma túnica branca, alvejante e perfumada, veste nossos pés imundos com uma sandália e em nosso dedo coloca um anel. 

E o filho mais novo, que papelão! Achou que sua conduta irrepreensível o fazia merecedor do amor do pai, relacionava-se com ele como com um patrão, não reconhecia o outro como irmão e por isso recusou-se entrar para comer, beber, dançar e se alegrar com a volta do mais novo. Por acaso não somos um pouco assim? A nossa prática religiosa, seja lá de que igreja ou crença for, não nos faz muitas vezes olhar os “afastados” com certo desdém? 



José da Cruz - Diácono permanente da 
Paróquia Nossa Senhora Consolata- Votorantim 
cruzsm@uol.com.br
Do informativo  Gotas da Palavra

Clique abaixo e reze com a Liturgia deste Domingo:

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A opção fundamental (Reflexão para o 23o. Domingo Comum - Ano C)

Quem durante a infância ou adolescência, não brincou em uma casa inacabada? Na minha rua tinha uma que nos abrigava após as malandragens, só tinha uma parte do telhado e buracos disformes em lugar das portas e janelas. Invadida pelo matagal tornara-se um depósito de lixo, virando ainda esconderijo de casais mal intencionados e de bandidos de outras plagas que ali pernoitavam. É para isso que serve uma casa inacabada, para ser usada para o mal. Poderia ser uma bela casa e abrigar uma família de bem, mas acabou ficando daquele jeito, escura, triste, feia e abandonada, e tudo por falta de planejamento do seu construtor, que não teve o bom senso e a prudência de sentar-se para elaborar o orçamento, planejando o início e o término da obra, que desta forma tornou-se um testemunho vergonhoso contra ele.
Na outra parábola desse evangelho, Jesus é ainda mais claro, qual o rei que antes de sair para o combate, primeiro não se senta para avaliar se valerá a pena marchar contra o inimigo que vem com um exército numericamente superior, e depois envia mensageiros para negociar a paz? Em qualquer empreendimento humano é necessário um planejamento para atingirmos a meta. Em nossos trabalhos pastorais e, sobretudo na missão fundamental de evangelizar, pecamos muito por falta de planejamento, esse também é o pecado de algumas pastorais e movimentos, pois nem sempre nossos planos pastorais são levados a sério e daí, é claro que os resultados nem sempre serão os esperados.
Em resumo o evangelho quer nos ensinar que antes de tomar uma decisão importante, é preciso pensar e refletir, porque depois da decisão tomada, haverá conseqüências às quais temos que assumir. Um exemplo claro disso é o casamento, onde muitos casais recebem o sacramento, mas não têm consciência sobre o que estão assumindo e daí não perseveram na vida a dois e o casamento se transforma em uma casa velha, inacabada, que só trará desgosto e aborrecimento.
Pode assim entender por que as palavras de Jesus parecem ser tão duras e exigentes neste evangelho! No meio da multidão dos seus seguidores, e também nas comunidades de Lucas, havia muitas pessoas que ainda não tinham entendido o que é ser cristão, pois Jesus e seu evangelho não são apenas uma opção a mais, mas é a única e verdadeira opção para quem quer ser discípulo.
Ser cristão não é poder escolher em uma vitrine, algumas virtudes, ideologias ou tendências que mais nos agradem. Infelizmente há muitos que agem desta forma e acabam fragmentando o evangelho e os ensinamentos cristãos, idealizando a imagem de um Jesus Cristo mais "Light", esquecendo-se que Cristo não é apenas a parede da casa, mas o alicerce sobre o qual construímos a nossa existência e tudo se fundamenta nele: nossa relação com os outros, tudo o que somos e temos, absolutamente nada deve ficar fora do ideal cristão! É isso que Jesus quer dizer com a palavra desapego e renúncia, que não significa abrir mão de tudo que se tem, mas sim colocar o reino de Deus acima de todas essas coisas, até mesmo das relações afetivas com os familiares, simplesmente porque tudo o que temos e somos nesta vida é transitório e efêmero diante do Reino.
Há cristãos que planejam mal a sua vida de fé, muitas vezes almejam a glória da ressurreição tentando cortar por atalhos o caminho do calvário, esquivando-se da cruz que nos pertence, mas que o Senhor carregou por todos nós. Este é na verdade o grande perigo desse cristianismo da modernidade, ser discípulo de um Cristo sem cruz, onde não precise fazer renúncias e nem desapegos, onde não seja necessário tomar decisão radical a favor do evangelho e nem ser tão exigente conosco, no campo da ética e da moral.
As renúncias devem estar presentes em nosso dia a dia, como conseqüência natural de quem fez uma opção fundamental por Jesus, trata-se de uma escolha que se iniciou no dia do nosso batismo, quando pais e padrinhos falando em nosso nome, confiantes no efeito da graça de Deus em nossa vida, prometem solenemente naquele dia RENUNCIAR todas as forças do mal, contrárias ao reino que Jesus inaugurou.

Diácono José da Cruz
Do informativo Gotas da Palavra 

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Gotas de sabedoria - Gotas da Palavra

"O passado nos serve de experiência sim. Dizem que o inteligente aprende com os próprios erros e o sábio aprende com os erros do outro. O que aprendemos com a vida deve estar sempre com a gente, mas não para nos impedir de avançar e sim para nos alavancar a novas experiências".
José Luis Garcia
Informativo Gotas da Palavra?

"Justiça na Bíblia é o cumprimento da vontade de Deus; ora, o Batismo de Jesus mostra que ele veio para cumprir totalmente a palavra de Deus, pois, se o batismo de João era um batismo de conversão, ao ser batizado, Jesus assume todo o Plano de Salvação do Homem".
Pe. José Antônio

Outras reflexões: 

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A morte como caminho para vida (Reflexão da Palavra de Deus para o 12o. Domingo do Tempo Comum, Ano C)

Os três temas principais da liturgia deste domingo, 20.06.2010, o diálogo sobre o Messianismo de Jesus, a predição da Paixão de Jesus e o apelo ao seguimento da Cruz, formam uma unidade que vem nos mostrar que Jesus, o Messias, segue o caminho definido por Deus, caminho da libertação pela doação até o fim.
Nos dias de hoje a Igreja nos pede para assumirmos nossa condição de discípulo de Jesus e muitos de nós não conseguimos assimilar muito bem o que é ser um discípulo. Nesta reflexão litúrgica está a definição: “seguir o mesmo caminho do Mestre, assumindo a sua cruz, vivendo como ele viveu, morrendo como ele morreu e fazendo cada dia a experiência do mundo e de Deus que ele fez”.
A cruz do dia-a-dia é a nossa participação na Cruz do Calvário, da qual recebe todo o seu valor. Por tanto é importante ter claro que os sacrifícios da caminhada devem ser exercícios do amor de Cristo e não meramente um subterfúgio, uma fachada que venha dispensar qualquer chamado à conversão e nem mesmo um apego a privilégios.
O discípulo cristão deve aprender assumir a cruz com a mesma compaixão que Cristo assumiu, reconhecendo que a cruz mais pesada é a sua incapacidade de criar uma sociedade justa, onde todos tenham vez, porque numa sociedade cristã é inadmissível perpetuar e aprofundar o abismo que divide as pessoas.
A crucificação de Jesus marcou a chegada de um novo povo, o povo da Nova Aliança, onde todos são iguais para Deus, como filhos queridos e irmãos de Jesus, que assumem a missão de continuar o projeto que ele iniciou.
Vamos então dizer sim a proposta de Jesus que é a de assumirmos o projeto de igualdade e fraternidade, que exige doação e entrega cotidianas e passa necessariamente pela cruz, pois só assim nos tornaremos fiéis discípulos missionários e poderemos novos discípulos formar. Só quem se coloca a serviço poderá participar da vida igual à de Cristo, na comunidade dos irmãos.

Nádia Corradi
do informativo "Gotas da Palavra"

quarta-feira, 2 de junho de 2010

"Todos comeram e ficaram satisfeitos" (Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo)

A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao século XII. A Igreja sentiu necessidade de realçar a presença real do "Cristo todo" no pão consagrado. Esta necessidade se aliava ao desejo do homem medieval de "contemplar" as coisas. Surgiu nesta época o costume de elevar a hóstia depois da consagração. Disseminava-se uma controvertida piedade eucarística, chegando ao ponto das pessoas irem à Igreja mais "verem" a hóstia do que para participarem efetivamente da Eucaristia.
A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula Transiturus de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes.
A Igreja todos os anos celebra solenemente a festa de Corpus Christi; e nesta, queremos manifestar publicamente a nossa Fé no Cristo Ressuscitado que se faz presente em nosso meio através da Eucaristia.
Não queremos que esta manifestação fique vazia em nossa vida, mas queremos encher-nos do espírito de fraternidade, encorajados pelo poder do Cristo vencedor, que venceu a morte e ressuscitou!
Com este mesmo espírito queremos levar o Cristo a todos os nossos irmãos e irmãs que necessitam de nossas mãos estendidas. Queremos levar o pão verdadeiro que mata a fome! E como podemos fazer isso? Jesus diz No Evangelho: Dai-lhes vós mesmo de comer! Através de nosso gesto de partilha, de doação, de amor fraterno, de entrega total ao Senhor a serviço do Irmão, assim estamos levando o outro a conhecer Aquele que nos deu o pão do céu!
A Eucaristia é o memorial perene da paixão de Cristo, é o cumprimento perfeito e total das figuras da antiga aliança, e o maior de todos os milagres de Cristo! Por isso queremos ao celebrar esta solenidade buscar fortalecer-nos do alimento que não acaba, queremos fazer-nos participantes da divindade daquele que assumiu a nossa humanidade, a nossa fraqueza, como já nos disse o grande teólogo Santo Tomás de Aquino!
Portanto, conhecendo o alimento que te é oferecido, porque não o levar também aos outros?
Que o Senhor Nos Abençoe, e nos faça sempre fiéis ao seu Amor!

Pe. J. Amaro
Do informativo Gotas da Palavra.
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