"Senhor, tua Palavra é luz no meu caminho e lâmpada para os meus pés! Creio que por meio da tua Palavra o Universo se formou; Creio que por meio da Tua Palavra a terra se firmou; Creio que Tua Palavra, o Verbo Eterno, se encarnou em nosso meio: Jesus, és a Palavra Viva de Deus Pai, Palavra que permanece viva em nosso meio, e continua a ser inspirada e renovada pelo Santo Espírito. Tudo pode passar, as ervas podem secar, as folhas podem cair, o céu e a terra passar, mas, tua Palavra meu Deus, jamais passará. E enquanto eu viver quero emprestar minha voz a Ti para que continueis falando ao coração dos homens e mulheres deste tempo! Fala-me Senhor, fala em mim Senhor, fala por mim Senhor!"
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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Não há segredos entre o Pai e o Filho - Reflexão diária do Evangelho

"Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos.Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”
(Mateus 11,25-27)

Certa ocasião na empresa onde trabalhei, estávamos aguardando um chefe novo, ao lado de quem eu iria trabalhar. A equipe estava alvoroçada, pintaram um homem grosseiro, cheio de maldade, que tratava os funcionários com desprezo e indiferença, falei a meu pai sobre o meu receio e ele perguntou: “mas você conhece esse chefe novo? Já conversou com ele?". E diante da minha negativa ele orientou-me a aguardar, acolher o novo encarregado, e depois de alguns dias seria mais fácil emitir um juízo sobre ele. E assim fiz, com o novo chefe convivi até a sua aposentadoria, era de fato exigente e rigoroso, mas nos tornamos amigos e convivemos ao longo de 20 anos lado a lado. Não era uma pessoa perfeita, tinha lá os seus defeitos, mas também não era o monstro que pintaram para nós, nos dias que precederam a sua chegada. Agora fica mais fácil entender uma coisa: Só Jesus conhece intimamente Deus Pai e tem toda autoridade para falar dele.... 
Tem gente pregando um Deus que não tem nada a ver com o Pai de Jesus, um Deus imponente, exigente demais, que só quer complicar a nossa vida proibindo nos fazer um monte de coisas das quais gostamos. Outros acham que Deus só se achega dos homens importantes e sábios, pois só estes têm condições de compreendê-lo. Hoje Jesus desmonta esse modo super errado de pensar sobre Deus, sua oração é de pura alegria, Deus não age segundo os critérios humanos, os pequenos e insignificantes têm pleno acesso á sua Revelação, já os grandes que se julgam importantes... Nunca vão conseguir compreendê-lo. Jesus conhece o Pai e sabe que ele é exatamente assim, totalmente diferente daquilo que pintam e apregoam e por isso se enche de alegria Louvando e Bendizendo o Pai. 
O conhecimento de Deus supõe um total comprometimento com o seu Plano manifestado em Jesus, a Teologia ajuda bastante, mas Deus ainda prefere um coração puro, vazio de orgulho e vaidade, é aí que ele se revela, através de Jesus.

Diacp. José da Cruz 

sábado, 9 de julho de 2011

A Horta do "Sêo" Justino

Reflexão para o Décimo Quinto Domingo do Tempo Comum (Ano A), a partir do Evangelho de Mateus 13,1-23.

Quando morávamos á rua Antonio Fernandes, na minha adolescência (já faz tempo), meu pai mantinha no fundo do nosso quintal uma modesta horta que se resumia a três canteiros, porém muito bem cuidados, e em certas tardes de intenso calor, lembro-me dele, armado com um velho pano de enxugar pratos, espantado borboletas amarelas e pardais que insistiam em assentar sobre o canteiro. Eu me divertia em ver a seriedade com que fazia essa tarefa e um dia, percebendo que era alvo da minha atenção, fez um comentário que está bem ligado ao evangelho desse domingo “A terra é boa, está bem regada e adubada, e a semente das verduras é de ótima qualidade, mas se a gente abandonar o canteiro e não dar atenção, os passarinhos comem tudo e as borboletas amarelas irão praguejar as folhas”. 
E assim, o “Teólogo” Sêo Justino, me ensinava desta forma bem simples, que tudo o que é bom, além de cultivado, deve ser mantido e conservado, porque há fatores externos que destroem o que foi semeado. No tempo de Jesus, a técnica de plantio de sementes sofria muita perda, pois o semeador saia pelo campo, jogando as mesmas em todos os tipos de terreno, claro que hoje, com toda a tecnologia disponível na agricultura, o aproveitamento das sementes é cem por cento, e elas só são atiradas em locais preparados para o plantio, não havendo mais esse perigo de cair em terra improdutiva. 
Porém, o jeito tecnicamente errado de fazer a semeadura, por aqueles tempos, mostra de maneira bem clara a bondade de Deus, que quer salvar a toda humanidade e por isso, o seu Filho Jesus, lança as sementes do reino em todos os tipos de terrenos, existentes no coração humano, a semente é eficaz, e o semeador sabe muito bem o que está fazendo, pois se a terra árida, pedregosa ou espinhenta, aonde foi lançada a semente, passar por uma transformação, haverá grande chance da semente frutificar. 
Jesus não fica escolhendo as pessoas para anunciar sua palavra e plantar o reino em seu coração, todo homem tem acesso, e não passará por esta vida sem conhecer a palavra que é a todos revelada, pois Deus busca, procura e alcança a cada homem neste mundo. Uma outra comparação muito boa para compreender esta parábola, é lembrarmos daquela brasinha de final de churrasco, que sobrou na churrasqueira e tendo passado a noite inteira, no dia seguinte, ao remexer as cinzas lá está ela, basta um sopro e se transformará em chama nova que incendeia e aquece em redor, a semente está sempre plantada dentro de nós a espera de quem a ajude a germinar. 
Na verdade, o evangelho nos obriga primeiramente a olhar para dentro de nós, onde iremos nos surpreender ao constatar que em nosso coração, a semente da palavra de Deus sempre é jogada abundantemente em todas as celebrações, e que apesar de sua eficácia e potencial para frutificar, muitas vezes não germina, pois há muita terra seca, batida e pedregulhos, que não a deixa brotar, há muito espinho que sufoca o anúncio dentro de nós, além dos pássaros, que são aqueles ideais contrários ao reino de Deus, e que de maneira furtiva, entram em nosso coração e roubam a semente do bem. 
Mas se por um lado recebemos a semente continuamente, somos também enviados como missionários para semear a Boa Nova no coração das pessoas, e aí precisamos nos perguntar com muita honestidade, será que fazemos como Jesus, o Filho de Deus, espalhando a semente em todos os corações, sem se importar com o tipo de terreno que tem ali, ou só queremos semear em terra fértil? O verdadeiro missionário está sempre arriscando, pois o que importa é espalhar as sementes para que todo homem tenha a chance de conhecer a Jesus Salvador. 
Só iremos dar conta dessa missão se primeiramente soubermos cultivar em nós a boa semente da Palavra, estando atento a cada instante, revolvendo a terra com o arado da oração, adubando-a com o verdadeiro maná que é a Santa Eucaristia, para assim manter o nosso canteiro, vivendo na unidade e a comunhão com todos, espantando, como fazia meu pai com aquele pano de prato, qualquer mal que possa impedir a semente de brotar em nosso coração, estando assim bem vigilante para fazer o bem, em todas as oportunidades que Deus nos conceder nessa vida. E por último, vamos também refletir e entender, que em todas as nações, povos, culturas e religiões, Jesus, o Verbo Divino encarnado em nossa história, semeou a palavra e o seu Reino, e assim, iremos reconhecer na diversidade de culturas, nações e religiões, a presença fortalecedora e restauradora do Bem supremo, que brota do coração de Deus, e em Jesus atinge o coração de todo homem, transformando o que é seco em fertilidade, o pedregulho em fertilizante de primeira qualidade, e os malfadados espinhos, em belas flores que exalam para todos o perfume do amor de Deus, derramado em nós por Jesus Cristo...

Diacp. José da Cruz

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Fazer de Graça - Reflexão diária do Evangelho

"Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar! Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito a seu sustento. Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hos­pedai-vos com ele até a vossa partida. Ao entrardes numa casa, saudai-a. Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz. Se alguém não vos receber, nem escutar vossa palavra, saí daquela casa ou daquela cidade, e sacudi a poeira dos vossos pés. Em verdade vos digo, as cidades de Sodoma e Gomorra serão tratadas com menos dureza do que aquela cidade, no dia do juízo". 
(Mateus 10, 7-15)
                                             
Eis aqui uma exortação do Senhor, muito complicada e difícil de ser seguida, dar de graça, fazer de graça, servir de graça... Em uma sociedade essencialmente consumista e portanto mercantilista, o cristianismo apresenta esse confronto da gratuidade com a mercantilidade, na comunidade as vezes queremos “vender” carismas, isso parece escandaloso, mas é assim que acontece. Aparentemente as pessoas parecem que estão fazendo realmente de graça, mas lá um belo dia a coisa “estoura” e descobre-se que por trás da dedicação à comunidade, havia algum interesse pessoal. Geralmente os que pulam fora do barco, os que vão embora de mala e cuia, são esses que querem ser reconhecidos, paparicados, elogiados, homenageados, consultados, valorizados... não falei nem uma vez em dinheiro, mas tudo isso é pagamento, que quando falta, a pessoa se irrita, se estressa, enfrenta as demais lideranças, enfrenta até o padre, e se preciso até o Bispo. 
Fazer as coisas do meu modo, do meu jeito, e as pessoas tem de submeter-se a mim, gente assim só atrapalha a caminhada da comunidade, primeiramente pelo mau testemunho, e em segundo porque abafam a vocação e o carisma do outro, por medo de concorrência, não admitem que alguém seja melhor que eles, naquilo que fazem, esses são verdadeiros mercenários. 
Por isso no perfil de um discípulo evangelizador está colocada essa exigência fundamental “De graça recebestes, de graça deveis dar”. O que recebemos de graça de Deus? Tantas coisas, mas há uma que podemos dar aos outros, de graça: é o Amor ! 
O discípulo deve ser desapegado de qualquer bem material, para que os ouvintes se convençam da sua pregação, a sua inteira confiança naquele que os enviou, ora, se o anunciador da Palavra de Deus, colocar sua esperança e confiança, não naquilo que ele é, mas naquilo que ele tem, será difícil convencer alguém, de que o Evangelho é o centro da nossa vida.... 
E uma última coisa, deverá haver nas pessoas uma sincera abertura a Palavra de Deus anunciada, , na casa de uma pessoa assim, é que deve o discípulo ficar hospedado.Mas porém, se houver rejeição, que haja uma ruptura, bata até a poeira da sandália contra aquela casa, porque há mais pessoas sequiosas de ouvirem o anúncio, não perca tempo com os que rejeitam a Palavra. 
Deus proverá outros missionários, para que aquela pessoa também acolha a Palavra, mas em outra oportunidade.

Diacp. José da Cruz

terça-feira, 5 de julho de 2011

Mão de obra qualificada - Reflexão diária do Evangelho

"Naquele tempo, apresentaram a Jesus um homem mudo, que estava possuído pelo demônio. Quando o demônio foi expulso, o mudo começou a falar. As multidões ficaram admiradas e diziam: “Nunca se viu coisa igual em Israel”. Os fariseus, porém, diziam: “É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios”. Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, e curando todo o tipo de doença e enfermidade. Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!”. 
Mateus 9, 32-38 



Nos trabalhos do Reino de Deus, jamais iremos encontrar a placa detestável “NÃO TEMOS VAGA”, ao contrário, todo colaborador é muito bem vindo. Essa afirmativa de que, a messe é grande e os operários são poucos, fez a minha equipe de Teólogos discutirem entre si em um caloroso debate. Que negócio é este? Deus precisa do homem para construir o Reino e realizar a ação salvadora e libertadora de todos os homens? Interessante porque não se trata de um “Faz de conta”, é o próprio Jesus que fala aos discípulos para pedir ao Pai para que este envie trabalhadores para a messe. Não parece que Jesus está fazendo uma “onda” com os seus discípulos, a coisa é muito séria... 
É usando a sua liberdade, dom de Deus, que o homem aceita ser um colaborador na obra da Salvação, sem o pressuposto da liberdade, não haverá abertura e correspondência ao chamado, mas o homem precisa realmente ser livre.... Esse mudo que aparece logo no início do evangelho era um bom homem na comunidade, mas a Força do Mal sufocava a Palavra,. O anúncio não acontecia...Liberto por Jesus, agora o homem que era mudo fala e proclama os louvores de Deus provocando duas reações diferentes: as multidões se admiram mas os chefes dos Fariseus atribuem o poder ao Príncipe dos Demônios. 
A oposição quando é burra, é exatamente assim, não consegue enxergar nenhum valor em seu adversário ou oponente, tudo nele é ruim, tudo o que faz é mal feito, não tem nenhum valor. Não é assim na política ? Alguém já viu adversário político enxergar o Bem na ação do seu oponente? Claro que não, pois isso daria ponto ao outro. Mas os Chefes dos Fariseus são, em uma linguagem mais de hoje, um bando de Antas, pois como é que atribuem uma ação boa a força do mal? Acho que os demônios ficaram possessos, pois na visão Farisaica, fizeram uma ação libertadora, e assim acabaram desmoralizados, porque colaboraram com o Reino de Deus. 
Voltemos á reflexão em seu início, a primeira virtude que Jesus exige dos seus colaboradores é a misericórdia, olhar as multidões e compadecer-se delas, se isso faltar a um evangelizador ou anunciador da Palavra, o mal será terrível. Jesus, aquele que instituiu a nossa Igreja e enviou seus discípulos nunca permaneceu indiferente diante das multidões cansadas e abatidas. Hoje esse quadro continua em nossa sociedade, qual a nossa postura? As pessoas estão desanimadas porque falta-lhes a Esperança, não conseguem vislumbrar nada de bom, pois pensam que o Mal venceu a humanidade...Quem falou ? Então é preciso que eles conheçam a Jesus o Sumo Bem, o Salvador e Libertador, aquele que abre a nossa boca de certa mudez, e faz de nós anunciadores da sua Palavra...Há muito trabalho pela frente, a Messe é grande, não percamos tempo....

Diacp. José da Cruz

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O frágil Cordeiro de Deus

Reflexão da Palavra para o Segundo Domingo do Tempo Comum.
Acesse as Leituras aqui: 

Houve um tempo na minha infância, em que os Reis do Ringue influenciavam nossas brincadeiras e disputava-se em duplas, fazendo do campinho de final de rua, nosso ringue improvisado. Havia um garoto novo, mas muito encorpado, e além do mais com uma agilidade incrível para lutar, quem lutava ao seu lado, saia-se vencedor. Nós éramos franzinos e ele era sempre o destaque, considerado forte, sempre com pose de campeão. 
Quando as lutas eram com algum menino de outro bairro, para intimidar o adversário, o apontávamos como o grande campeão e vencedor nato, e assim, por muito tempo foi considerado o melhor lutador da região, ninguém ousava enfrentá-lo. 
João Batista aponta aos discípulos e demais seguidores, o grande Messias, o esperado por todos, o Ungido de Deus e revestido de todo poder, mas o título que lhe confere deve ter provocado risos em alguns mais céticos: Cordeiro de Deus ! Poderia utilizar-se de um título mais condizente com o poder do Messias, quem sabe Leão ou até mesmo Urso, animal forte e poderoso entre os demais, com força descomunal. 
Mas Cordeiro era motivo até para chacota, pois o cordeiro é frágil, indefeso, incapaz de qualquer reação diante dos que atentam contra sua vida. Quanto á sua ação de “tirar o pecado do mundo”, esperava-se alguém que acabasse definitivamente com os maus, premiasse os bons e eliminasse todas as forças do mal, não muito diferente de hoje, quando diante do quadro triste de um mundo marcado por tanto pecado, muitos nutre no coração, a falsa esperança de que Jesus venha nas nuvens para desmascarar o Mal e fazer triunfar o Bem. Seria assim a vingança dos bons e justos, ver os maus serem esmagados e aniquilados por Jesus triunfante e glorioso. Acredita-se que o traidor Judas, no fundo pensava em uma “virada” na situação e por isso entregou Jesus aos seus inimigos, para deliciar-se ao ver a reação der Jesus na hora “H”. Esse pensamento equivocado prevaleceu até na hora derradeira quando entre outros insultos se dizia “Se és de fato o Messias, desce da cruz agora...” 
Não é errado pensarmos desse modo, diante do Poder e Perfeição de Deus, e de nossas fragilidades, até João Batista tinha uma compreensão messiânica rigorosa e severa, vivia falando em fogo que devora, em palha que iria ser queimada quando o Reino se instalasse, para que os maus tremessem na base e se convertessem. 
Mas no evangelho de hoje, parece que “caiu à ficha” de João, duas vezes ele declara que não conhecia Jesus, e que chegou a esse conhecimento porque Aquele que o tinha enviado para Batizar, o revelara. 
Não se compreende as coisas de Deus, o seu pensamento e seu agir, a partir da lógica humana, mas podem-se ver os sinais que ele realiza, e João VIU, logicamente esse Ver Teológico, transcende a nossa limitada visão carnal, ver os sinais que Deus realiza, só é possível com os olhos da Fé, em outras palavras, quem vive na Fé, começa a ver os acontecimentos e as pessoas com um olhar diferente e o quadro inverte-se: aquilo que é Forte e poderoso se tornará em ruína, aquilo que é fraco, indefeso, insignificante, irá realizar a salvação completa, não só dos Israelitas, mas de toda humanidade. 
Na primeira Leitura o Profeta, que é a Boca de Deus, já havia dito sobre o Servo de Javé, que ele seria a Luz das Nações, e aqui, o servo de Javé é aplicado ao povo, que estava cativo na Babilônia, totalmente derrotado e massacrado, sem pátria e sem identidade, aliás, nas duas leituras, não é homem que se sente forte e preparado, para algo grandioso, mas é Deus que chama através da Vocação, o apóstolo Paulo apresenta-se desse modo á comunidade, e Deus nunca chama os arrogantes, os prepotentes, os mais fortes, e que tem panca de vencedor, como o meu amigo de infância, a quem me referi no início e que nós chamávamos de “Homem Montanha”, ao contrário, Deus se alia aos pobres, fracos, desprezados, por isso o título “Cordeiro de Deus” evoca realmente quem é Jesus, o Deus Todo Poderoso encarnado na fragilidade humana para vencer em definitivo as forças do mal e tirar o pecado do mundo. 
O Cordeiro de Deus, o Deus imortal, Criador de todas as coisas, Onipotente, Onipresente e Onisciente, vem como Cordeiro indefeso diante da violência humana, vai para o matadouro mudo, sem reclamar, sem praguejar contra o Pai, sem maldizer a própria sorte. Porque somente assim realizará sua Missão de Salvar os homens, só o amor salva, e só DEUS É AMOR. 
Aprofundar no conhecimento de Deus e poder dar testemunho como João Batista, requer de cada cristão esse VER constante no dia a dia, os atos de mais puro amor que Deus vai realizando, mas é sempre preciso ter em mente esse modo de agir Divino, que sempre engana os homens que se julgam sábios e espertalhões. Olhemos para a Eucaristia, ponto convergente da Igreja e cume da Liturgia, o Sacerdote ergue uma hóstia frágil, que cabe na palma da nossa mão, e que até um ventilador ligado pode fazê-la sair voando... 
Entretanto, ali está escondido e oculto aos olhos dos que não crêem o maior e mais valioso de todos os tesouros da terra. A graça de Deus em forma de pão que alimenta e restaura as nossas forças, ajudando-nos a atravessar o deserto da Vida terrena, como aquele Maná descido do céu ajudou o povo na travessia do deserto, milhares de vezes ao dia esse gesto se repete, a hóstia é apresentada repetindo-se as palavras de João: Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo... Como diz São Paulo, Jesus Cristo é o mesmo ontem, Hoje e sempre, e ainda prefere ocultar todo o seu Poder, graça, Glória e Salvação, em algo frágil. Que a exemplo de João Batista, possamos também VER, e dar testemunho de que naquele pedacinho de pão está o Filho de Deus, Cristo Jesus, nosso Deus e Senhor, aquele que criou o céu e a terra, e salva e santifica a todos os que Nele crêem, em meio a toda humanidade. 

Diácono José da Cruz 
E-mail: cruzsm@uol.com.br

domingo, 12 de setembro de 2010

A Misericórdia Divina (Reflexão para o 24o. Domingo do Tempo Comum, Ano C)

Eu gostava de colecionar bolinhas de gude e cheguei a ter quase mil unidades, mas havia uma opaca, de cor avermelhada e amarela que parecia uma pedra preciosa e era a minha predileta. Um dia dei pela falta da minha jóia rara e fiquei alguns dias “amuado” e minha mãe, vendo a minha súbita tristeza, lembrou-me que eu possuía mil, ela não compreendia que aquela era minha predileta, cuja beleza todos os meninos da região admiravam, mas ela era unica e toda minha. Uma semana depois de intensa procura, acabei encontrando-a no fundo do quintal e minha alegria foi tão grande que sai pulando pela calçada e adentrei pela casa, para que todos soubessem que havia achado a minha bolinha perdida. 

Minha mãe, que nada entendia de bolinhas de gude raras, não entendia minha predileção por aquela bolinha especial, e talvez achasse que era uma perda de tempo dar tanta atenção a uma só deixando de lado as outras mil. É essa a linha de raciocínio das parábolas apresentadas no evangelho desse domingo, da moeda perdida, da ovelha desgarrada e do Filho pródigo. 

A diferença está que para mim, aquela bolinha era especial e valia mais que as outras, porque era mais bonita e tinha um atrativo a mais, a moeda que a mulher havia perdido era igual às outras, mas não estava mais diante dos olhos de sua dona, a ovelha nada tinha de diferente das demais, porém estava perdida, sem abrigo e sem alimentação, foram essas as preocupações da mulher e do proprietário das ovelhas. O coração de Deus também é assim, ama de um modo pessoal e especial a cada ser humano, assemelha-se aquela mãe que só consegue dormir quando chega o último dos filhos na madrugada. 

Em nossa sociedade predomina um modo de pensar que é contrário, achamos que é perda de tempo dar atenção a quem não tem talento, a quem não é direito, a quem enveredou pelo caminho do mal, a quem se perdeu nas drogas e nos vícios, a quem destruiu a família, a quem não estuda e nem trabalha, e no campo religioso, a quem se tornou pecador e não parece disposto a converter-se. “Esse fulano não tem jeito, esse sujeito é irrecuperável, para esse não adianta falar de Jesus” quantas vezes não ouvimos afirmações como essa, na escola, na família, e até na comunidade! Tem muito cristão encabeçando lista a favor da pena de morte. Será que vale a pena falar de Deus a um traficante, falar sobre o amor manifestado em Jesus a favor de todos e de cada homem? Quantas ovelhas desgarradas, quantas moedas perdidas, quantas bolinhas de gude, lindas, feitas a imagem e semelhança do Criador, que estão apenas sujas, desfiguradas, jogadas em um canto qualquer. 

As pessoas facilmente desistem da vida, do amor, desistem de viver bem com outras pessoas, cada um quer fazer as malas e tomar o seu rumo, viver de maneira desenfreada, sem virtudes e sem compromisso, achando que irão assim encontrar a felicidade, quem desiste de amar, jamais será feliz! A falta de amor nos faz passar fome, e nos joga na miséria, fomos criados para viver no amor e Deus é a fonte que nos alimenta, longe dele, a nossa vida perde totalmente o seu sentido. 

Há um filho pródigo em cada um de nós, que se ilude correndo atrás dos amores fantasiosos que o mundo nos oferece, não temos noção do quanto o Pai nos ama, não percebemos que moramos na casa de Deus e que o seu coração de Pai nunca para de bater por nós. Sempre há um dia que deparamos com o vazio, diante das “lavagens” de porcos que não nos alimenta. Voltamos para a casa do pai na condição de mendigos, sujos, rasgados e cheirando mal, e o Pai, mal nos avista vem correndo ao nosso encontro, nos abraça apertado e nos cobre de beijos, não se importando que estejamos impuros, joga sobre nossa miséria uma túnica branca, alvejante e perfumada, veste nossos pés imundos com uma sandália e em nosso dedo coloca um anel. 

E o filho mais novo, que papelão! Achou que sua conduta irrepreensível o fazia merecedor do amor do pai, relacionava-se com ele como com um patrão, não reconhecia o outro como irmão e por isso recusou-se entrar para comer, beber, dançar e se alegrar com a volta do mais novo. Por acaso não somos um pouco assim? A nossa prática religiosa, seja lá de que igreja ou crença for, não nos faz muitas vezes olhar os “afastados” com certo desdém? 



José da Cruz - Diácono permanente da 
Paróquia Nossa Senhora Consolata- Votorantim 
cruzsm@uol.com.br
Do informativo  Gotas da Palavra

Clique abaixo e reze com a Liturgia deste Domingo:

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A opção fundamental (Reflexão para o 23o. Domingo Comum - Ano C)

Quem durante a infância ou adolescência, não brincou em uma casa inacabada? Na minha rua tinha uma que nos abrigava após as malandragens, só tinha uma parte do telhado e buracos disformes em lugar das portas e janelas. Invadida pelo matagal tornara-se um depósito de lixo, virando ainda esconderijo de casais mal intencionados e de bandidos de outras plagas que ali pernoitavam. É para isso que serve uma casa inacabada, para ser usada para o mal. Poderia ser uma bela casa e abrigar uma família de bem, mas acabou ficando daquele jeito, escura, triste, feia e abandonada, e tudo por falta de planejamento do seu construtor, que não teve o bom senso e a prudência de sentar-se para elaborar o orçamento, planejando o início e o término da obra, que desta forma tornou-se um testemunho vergonhoso contra ele.
Na outra parábola desse evangelho, Jesus é ainda mais claro, qual o rei que antes de sair para o combate, primeiro não se senta para avaliar se valerá a pena marchar contra o inimigo que vem com um exército numericamente superior, e depois envia mensageiros para negociar a paz? Em qualquer empreendimento humano é necessário um planejamento para atingirmos a meta. Em nossos trabalhos pastorais e, sobretudo na missão fundamental de evangelizar, pecamos muito por falta de planejamento, esse também é o pecado de algumas pastorais e movimentos, pois nem sempre nossos planos pastorais são levados a sério e daí, é claro que os resultados nem sempre serão os esperados.
Em resumo o evangelho quer nos ensinar que antes de tomar uma decisão importante, é preciso pensar e refletir, porque depois da decisão tomada, haverá conseqüências às quais temos que assumir. Um exemplo claro disso é o casamento, onde muitos casais recebem o sacramento, mas não têm consciência sobre o que estão assumindo e daí não perseveram na vida a dois e o casamento se transforma em uma casa velha, inacabada, que só trará desgosto e aborrecimento.
Pode assim entender por que as palavras de Jesus parecem ser tão duras e exigentes neste evangelho! No meio da multidão dos seus seguidores, e também nas comunidades de Lucas, havia muitas pessoas que ainda não tinham entendido o que é ser cristão, pois Jesus e seu evangelho não são apenas uma opção a mais, mas é a única e verdadeira opção para quem quer ser discípulo.
Ser cristão não é poder escolher em uma vitrine, algumas virtudes, ideologias ou tendências que mais nos agradem. Infelizmente há muitos que agem desta forma e acabam fragmentando o evangelho e os ensinamentos cristãos, idealizando a imagem de um Jesus Cristo mais "Light", esquecendo-se que Cristo não é apenas a parede da casa, mas o alicerce sobre o qual construímos a nossa existência e tudo se fundamenta nele: nossa relação com os outros, tudo o que somos e temos, absolutamente nada deve ficar fora do ideal cristão! É isso que Jesus quer dizer com a palavra desapego e renúncia, que não significa abrir mão de tudo que se tem, mas sim colocar o reino de Deus acima de todas essas coisas, até mesmo das relações afetivas com os familiares, simplesmente porque tudo o que temos e somos nesta vida é transitório e efêmero diante do Reino.
Há cristãos que planejam mal a sua vida de fé, muitas vezes almejam a glória da ressurreição tentando cortar por atalhos o caminho do calvário, esquivando-se da cruz que nos pertence, mas que o Senhor carregou por todos nós. Este é na verdade o grande perigo desse cristianismo da modernidade, ser discípulo de um Cristo sem cruz, onde não precise fazer renúncias e nem desapegos, onde não seja necessário tomar decisão radical a favor do evangelho e nem ser tão exigente conosco, no campo da ética e da moral.
As renúncias devem estar presentes em nosso dia a dia, como conseqüência natural de quem fez uma opção fundamental por Jesus, trata-se de uma escolha que se iniciou no dia do nosso batismo, quando pais e padrinhos falando em nosso nome, confiantes no efeito da graça de Deus em nossa vida, prometem solenemente naquele dia RENUNCIAR todas as forças do mal, contrárias ao reino que Jesus inaugurou.

Diácono José da Cruz
Do informativo Gotas da Palavra 

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Refletindo com a Palavra de Deus: I Pedro 1,6-9.

"6Isto é motivo de alegria para vós, 
embora seja necessário que agora fiqueis por algum tempo aflitos, por causa de várias provações. 7Deste modo, a vossa fé será provada como sendo verdadeira 
— mais preciosa que o ouro perecível, que é provado no fogo — 
e alcançará louvor, honra e glória, no dia da manifestação de Jesus Cristo. 
8Sem ter visto o Senhor, vós o amais. 
Sem o ver ainda, nele acreditais. 
Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, 
9pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação." 
(I Pedro 1,6-9)

Estou convencido: É na provação que se prova a fidelidade do Senhor!
Ele é fiel!!!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A morte como caminho para vida (Reflexão da Palavra de Deus para o 12o. Domingo do Tempo Comum, Ano C)

Os três temas principais da liturgia deste domingo, 20.06.2010, o diálogo sobre o Messianismo de Jesus, a predição da Paixão de Jesus e o apelo ao seguimento da Cruz, formam uma unidade que vem nos mostrar que Jesus, o Messias, segue o caminho definido por Deus, caminho da libertação pela doação até o fim.
Nos dias de hoje a Igreja nos pede para assumirmos nossa condição de discípulo de Jesus e muitos de nós não conseguimos assimilar muito bem o que é ser um discípulo. Nesta reflexão litúrgica está a definição: “seguir o mesmo caminho do Mestre, assumindo a sua cruz, vivendo como ele viveu, morrendo como ele morreu e fazendo cada dia a experiência do mundo e de Deus que ele fez”.
A cruz do dia-a-dia é a nossa participação na Cruz do Calvário, da qual recebe todo o seu valor. Por tanto é importante ter claro que os sacrifícios da caminhada devem ser exercícios do amor de Cristo e não meramente um subterfúgio, uma fachada que venha dispensar qualquer chamado à conversão e nem mesmo um apego a privilégios.
O discípulo cristão deve aprender assumir a cruz com a mesma compaixão que Cristo assumiu, reconhecendo que a cruz mais pesada é a sua incapacidade de criar uma sociedade justa, onde todos tenham vez, porque numa sociedade cristã é inadmissível perpetuar e aprofundar o abismo que divide as pessoas.
A crucificação de Jesus marcou a chegada de um novo povo, o povo da Nova Aliança, onde todos são iguais para Deus, como filhos queridos e irmãos de Jesus, que assumem a missão de continuar o projeto que ele iniciou.
Vamos então dizer sim a proposta de Jesus que é a de assumirmos o projeto de igualdade e fraternidade, que exige doação e entrega cotidianas e passa necessariamente pela cruz, pois só assim nos tornaremos fiéis discípulos missionários e poderemos novos discípulos formar. Só quem se coloca a serviço poderá participar da vida igual à de Cristo, na comunidade dos irmãos.

Nádia Corradi
do informativo "Gotas da Palavra"
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