"Senhor, tua Palavra é luz no meu caminho e lâmpada para os meus pés! Creio que por meio da tua Palavra o Universo se formou; Creio que por meio da Tua Palavra a terra se firmou; Creio que Tua Palavra, o Verbo Eterno, se encarnou em nosso meio: Jesus, és a Palavra Viva de Deus Pai, Palavra que permanece viva em nosso meio, e continua a ser inspirada e renovada pelo Santo Espírito. Tudo pode passar, as ervas podem secar, as folhas podem cair, o céu e a terra passar, mas, tua Palavra meu Deus, jamais passará. E enquanto eu viver quero emprestar minha voz a Ti para que continueis falando ao coração dos homens e mulheres deste tempo! Fala-me Senhor, fala em mim Senhor, fala por mim Senhor!"

domingo, 5 de agosto de 2012

Viver de fé


Apesar da infidelidade e falta de dignidade dos homens, Deus é aquele que sempre mantém seus compromissos, pedindo ao homem que confie nele. Deus pede a colaboração do homem, dando-lhe como condição de salvação uma fé absoluta em sua palavra. 
Isaias nos narra um confronto entre Acaz, rei de Judá e o rei Rason da Siria e Facéia, rei de Israel (Cf. Is 7,1-9). Quando há guerra, há vitória. Os fiéis de ambas as partes rogam a Deus a vitória. Porém, só um lado pode sair vencedor, o outro lado acaba sentindo-se rejeitado por Deus ou se revolta por não ter sido atendido. 
O mesmo acontece em tantas peripécias humanas, quando se considera Deus como “um poderoso ao nosso serviço”, que basta invocar para que venha em nosso auxílio, curando-nos as doenças ou resolvendo conflitos e tensões que se dão nos mais vastos campos de relacionamento humano. 
Aqui a fé se configura como “barganha”, mas não é esta a fé que Deus exige. Jesus nos ajuda a entender o que é a fé com absoluta certeza quando nos ensina: “Buscai e achareis, batei e ser-vos-á aberto” (Cf. Mt 7,7). Jesus nos mostra que a fé é um abandono total e filial nos braços do Pai, é confiança em seus planos, que são sempre planos de amor, que preveem sempre o melhor para nós, mesmo quando ele permite as borrascas e derrotas, como a que estava para desabar sobre o povo no tempo de Isaías. 
Tudo isso porque Deus prova para purificar. A nós neste processo cabe aprendermos a viver de fé e aprendemos a orar com confiança. 

A fé é dom de Deus e não pode ser repelida. Um dia, afirmou Jesus aos fariseus que ser “filho de Abraão” é uma responsabilidade, mais do que motivo de orgulho (Cf. Jo 8,39). Ou seja, o que conta não é “ser filho de Abraão”, mas viver como filho de Abraão, imitando-lhe as virtudes, sobretudo sua fé. 
O mesmo pensamento é expresso sobre a censura que Jesus faz às cidades onde havia realizado muitos milagres, porque não haviam se convertido (Cf. Mt 11,20-24). Esta censura interessa também à nossa condição: o que conta não é ser membro da Igreja e formar parte do povo de Deus, mas viver como membros da Igreja e como filhos de Deus. 
Mesmo assim, a má conduta dos homens não evitará a condenação, à semelhança das antigas cidades. É preciso a consciência de que é bem maior a responsabilidade dos cristãos nos tempos atuais. Aquelas cidades, punidas por seus muitos pecados, não tiveram a possibilidade de se beneficiar com os prodígios da ação salvífica de Deus, como a temos nós, filhos e filhas do novo povo de Deus através dos sacramentos da Igreja. 

A Palavra de Deus nos impõe um sincero exame: Contentamo-nos com “ter” a fé ou nos esforçamos por “vivê-la”? 
Que o Senhor nos ajude a ter uma fé enraizada em sua Palavra e um compromisso autêntico com a Igreja mediante a fé que recebemos no Batismo. 

Sem. Rodolfo Marinho de Sousa 
Terça Feira da 15ª. Semana Comum – Ano Par. 17.07.2012 (Memória do Bem Aventurado Inácio de Azevedo e Companheiros Mártires)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Sacramento do Matrimônio


1. Existem na Igreja sete Sacramentos. Sacramento é o mesmo que sinal, e cada um dos sete foram instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo: Batismo, Confirmação ou Crisma, Eucaristia, Penitência ou Reconciliação, Unção dos Enfermos, Ordem e o Matrimônio. Os sete sacramentos estão dispostos de uma forma que atinja todas as etapas e todos os momentos importantes da vida do cristão: dão à vida de fé do cristão origem e crescimento, cura e missão; por isso a tríplice divisão: Sacramentos da Iniciação Cristã (Batismo, Confirmação e Eucaristia); Sacramentos de Cura (Penitência e Unção dos Enfermos); e, os Sacramentos do Serviço e da Comunhão (Ordem e Matrimônio). 
Os Sacramentos da Iniciação Cristã fundam a vocação comum de todos os discipulos de Cristo, que consiste num chamado à santidade e à missão de evangelizar o mundo. O Catecismo da Igreja nos diz que eles “conferem as graças necessárias à vida segundo o Espírito nesta vida de peregrinos a caminho da Pátria” (CIC 1533). Em outras palavras, eles conferem a salvação. 
Os Sacramentos da Comunhão e do Serviço também se destinam a salvação, ainda de modo pessoal, porém, através do serviço aos outros, pois eles conferem uma missão particular na Igreja e servem para a edificação do Povo de Deus. Pela Ordem e pelo Matrimônio, àqueles que já foram consagrados a Deus, podem receber consagrações específicas: os que recebem o sacramento da Ordem são consagrados para serem Pastores da Igreja; os esposos cristãos que recebem o sacramento do matrimônio tem a missão especial de edificar o Povo de Deus através de sua consagração e deveres familiares. 
Iremos dar especial atenção nesta presente reflexão ao Sacramento do Matrimônio. 

2. O Catecismo da Igreja quando trata do mesmo, inicia com as seguintes palavras: “A Aliança matrimonial, pela qual o homem e a mulher constituem entre si uma comunhão de vida toda, é ordenada por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à geração e educação dos filhos, e foi elevada entre os batizados, à dignidade de sacramento, por Cristo Senhor.” (CIC 1601) 
Pois bem, na Sagrada Escritura nota-se bem claro que o matrimônio está no desígnio de Deus, uma vez que ela abre-se com a criação do homem e da mulher à imagem e semelhança de Deus (Cf. Gn 1,26-27) e se fecha com as “núpcias do Cordeiro de Deus” (Cf. Ap 19,7.9). “De um extremo a outro, a Escritura fala do casamento e de seu "mistério", de sua instituição e do sentido que lhe foi dado por Deus, de sua origem e de seu fim, de suas diversas realizações ao longo de história da salvação, de suas dificuldades provenientes do pecado e de sua renovação "no Senhor" (1Cor 7,39), na nova aliança de Cristo e da Igreja” (CIC 1602) 

3. A vocação para o matrimônio está na natureza do homem e da mulher, ao passo que não se trata de algo simplesmente humano, mas algo grandioso que tem a iniciativa no próprio Deus, que, ao criar o homem por amor, também o chama para o Amor. 
Deus cria homem e mulher, e o amor mútuo que nasce entre estes dois é imagem de um amor absoluto de Deus pelo homem, por isso é um amor “muito bom” aos olhos de Deus, que o abençoa e o destina a ser fecundo: “Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gn 1,28). 
Estamos falando de um amor que une duas vidas: “Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne” (Cf. Gn 2,18-25). A expressão “uma só carne” representa a perfeição desta união. 

4. O primeiro sinal de Jesus é operado em uma festa de casamento, as “Bodas de Caná” (Cf. Jo 2,1-11). A Igreja vê na presença de Jesus nesta festa de casamento “a confirmação de que o casamento é uma realidade boa e o anúncio de que, daí em diante, o casamento será um sinal eficaz da presença de Cristo” (CIC 1613). 
De fato, é o Cristo Jesus que reafirma que a união entre homem e mulher é indissolúvel, pois é Deus quem a consuma: “O que Deus uniu, o homem não deve separar” (Mt 19,6). Outrora, Moisés havia permitido o repúdio da mulher por conta da dureza de coração do Povo de Deus. Jesus vem para restaurar a ordem original: no principio não havia repúdio ou divórcio, por isso a afirmação de que tal união entre homem e mulher é indissolúvel. 
Esta afirmação de Jesus vem de encontro à relação que Ele tem com a sua Igreja. Desde esta fala de Jesus podemos ver no matrimônio o mesmo Amor que Cristo tem pela sua Igreja, por nós, filhos e filhas pelo Batismo. Por isso a recomendação de São Paulo aos maridos para que amem as suas mulheres como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela (Cf. Ef 5,25-26). De fato, toda a vida cristã traz a marca do amor esponsal de Cristo e da Igreja, e é por isso mesmo que o “Matrimônio cristão se torna, por sua vez, sinal eficaz, sacramento da aliança de Cristo e da Igreja” (CIC 1617) 

5. Diferente dos outros sacramentos, os ministros da celebração do matrimônio são os próprios esposos, que batizados e livres expressam livremente seu consentimento. A troca do consentimento é indispensável para que o matrimônio aconteça, pois ele constitui um ato humano pelo qual os cônjuges se doam e se recebem mutuamente: “Eu te recebo por minha mulher”... “Eu te recebo por meu marido”... O consentimento liga os esposos entre si, fazendo-os “uma só carne”. A quem assiste o matrimônio (sacerdote, diácono, testemunha qualificada) em nome da Igreja acolhe o consentimento dos esposos e lhes dá a benção da Igreja e de Deus. As testemunhas presentes indicam que o casamento é mais que uma formalidade e um rito, é uma realidade eclesial, ou seja, cria direitos e deveres na Igreja, entre os esposos e o tocante à prole que nascerá desta união. 
"Do Matrimônio válido origina-se entre os cônjuges um vínculo que, por sua natureza, é perpétuo e exclusivo; além disso, no Matrimônio cristão, os cônjuges são robustecidos e como que consagrados por um sacramento especial aos deveres e à dignidade de seu estado." (CIC 1638) 

6. Deus agracia o sacramento do matrimônio destinando assim a aperfeiçoar o amor dos cônjuges, a fortificação da sua unidade indissolúvel, a santificação da vida conjugal e a aceitação e educação dos filhos. 
"O amor conjugal comporta uma totalidade na qual entram todos os componentes da pessoa apelo do corpo e do instinto, força do sentimento e da afetividade, aspiração do espírito e da vontade; O amor conjugal dirige-se a uma unidade profundamente pessoal, aquela que, para além da união numa só carne, não conduz senão a um só coração e a uma só alma; ele exige a indissolubilidade e a fidelidade da doação recíproca definitiva e abre-se à fecundidade. Numa palavra, trata-se das características normais de todo amor conjugal natural, mas com um significado novo que não só as purifica e as consolida, mas eleva-as, a ponto de torná-las a expressão dos valores propriamente cristãos." (CIC 1643) 

7. Por fim, em nossos dias, num mundo que se tornou estranho e hostil a fé, as famílias cristãs são de importância primordial, como lares de fé viva e irradiante. O sacramento do matrimônio é para a Instituição “família”, e a família deve ser “Igreja doméstica”, pois é no seio da mesma que os pais são para os filhos, pela palavra e pelo exemplo os primeiros mestres da fé. O lar cristão é o lugar em que os filhos recebem o primeiro anúncio da fé, por isso deve ser comunidade de graça e de oração, escola das virtudes humanas e da caridade cristã. (Cf. CIC 1656.1666)

Sem. Rodolfo Marinho de Sousa

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Provação, Trigo e Joio

O Povo de Deus estava sendo atormentado pela seca que devastava o país de Israel e pela guerra que ameaçava a sua segurança política. Neste cenário se encontra o profeta Jeremias que está inteiramente sozinho entre a súplica do povo que insiste arrependido do seu pecado e a ardente justiça de Deus. A oração de Israel é humilde e procura obter a benevolência de Deus, reafirmando que somente Ele é Deus, renunciando a idolatria e voltando atrás na Aliança entre Deus e o povo. Neste momento somente o apelo confiante à misericórdia de Deus Criador é a única esperança do povo (Cf. Jr 14,17-22). 
O Povo de Israel se encontra em uma situação de calamidade. Em casos de calamidade quais são as atitudes tomadas? Há aqueles que ficam quase indiferentes a situação. Há outros que se agarram com Deus. Há também aqueles que duvidam da existência de Deus ou do seu amor, caso ele exista. Outros se questionam se Deus não se compraz ao ver a dor e sofrimento dos seus. Há ainda aqueles que suplicam a Deus, mas não de modo sincero, procurando somente o seu interesse pessoal e material. Por fim, existem aqueles que semelhantes ao Povo de Israel, reconhecem haver pecado e pertencer a uma humanidade pecadora, e vê na prova não o castigo, mas a purificação e a Presença de Deus. 
A provação faz voltar a Deus, confiar em sua aliança e em suas promessas; faz pedir perdão e esperar em sua providência. Nós precisamos aprender a reconhecer os nossos pecados, a confessa-los a Deus, que é Pai, através do Sacramento da Penitência, pelo qual a Igreja nos oferece o perdão divino, confiantes de que se o nosso coração ou consciência nos reprovar, “Deus é maior que o nosso coração” (Cf. 1Jo 3,19s). 


Na Parábola do joio e do trigo (Cf. Mt 13,36-43), encontramos o semeador divino e o semeador maligno. Um traz consigo os herdeiros do Reino de Deus, o outro um exército de adeptos das coisas que não agradam a Deus e seus filhos. Nesta parábola lemos a história humana, dividida em dois exércitos opostos. Jesus insiste na descrição do juízo, no qual Ele purificará a sua Igreja de todo mal. O cristão deve ser trigo e não joio. 
Deus é paciente. Se Ele fosse intolerante, o que seria de nós? Ele não é intolerante, mas não pode acolher o mal, por isso o repele. Ele detesta o pecado, mas ama o pecador que se arrepende de coração e quer mudar de vida, mas não pode amar e nem acolher aqueles que se identificam e se entregam ao mal, aqueles que se corrompem por causa do pecado. 
Porém, a última palavra é sempre de Deus, o que constitui uma imensa esperança para todos nós, principalmente para aqueles que são oprimidos pelo mal, mas a Ele aderem; e também uma severa advertência para aqueles que oprimem e são discipulos do mal. O joio oprime e suga o grão bom. Na parábola o Reino é personificado naqueles que aceitam a paternidade de Deus, e o mal é personificado naqueles que o praticam obstinadamente. 
Na realidade atual em que vivemos devemos distinguir com coerência o grão do joio do grão de trigo. Este é um risco muito grande que corremos, principalmente quando nos colocamos a julgar o que é bom e o que é mau ou quando respondemos com a intolerância e a impaciência aqueles que são discipulos do mal ou que o fazem mesmo inconscientemente. Postura de juiz não nos ajuda em nada em nossa conversão. A paciência de Deus que sabe separar o trigo do joio estimula à conversão. 
Devemos entrar na dimensão da “paciência de Deus” e assim vivermos a nossa conversão diária, lutarmos contra as tentações e investidas do mal, certos de que o mal atormentará somente aqueles que o buscarem ou quiserem e afastá-los para sempre de Deus numa decisão bem clara e consciente, ao passo que o bem e a vontade de Deus tornará seus filhos luminosos como Ele e com Ele para sempre.

Sem. Rodolfo Marinho de Sousa
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