"Senhor, tua Palavra é luz no meu caminho e lâmpada para os meus pés! Creio que por meio da tua Palavra o Universo se formou; Creio que por meio da Tua Palavra a terra se firmou; Creio que Tua Palavra, o Verbo Eterno, se encarnou em nosso meio: Jesus, és a Palavra Viva de Deus Pai, Palavra que permanece viva em nosso meio, e continua a ser inspirada e renovada pelo Santo Espírito. Tudo pode passar, as ervas podem secar, as folhas podem cair, o céu e a terra passar, mas, tua Palavra meu Deus, jamais passará. E enquanto eu viver quero emprestar minha voz a Ti para que continueis falando ao coração dos homens e mulheres deste tempo! Fala-me Senhor, fala em mim Senhor, fala por mim Senhor!"

quarta-feira, 10 de março de 2010

Didaché: O ensino dos Doze Apóstolos


Didaché:
“O Ensino dos Doze Apóstolos”

Instrução do Senhor para as nações, por meio dos doze apóstolos.

 
A.    Primeira Parte: Os dois caminhos.
(Capítulos 1 a 6)

“1,1Existem dois caminhos: um é o caminho da vida, e o outro, o da morte. A diferença entre os dois é grande”.

1. Viver é amar
“2O caminho da vida é este: Em primeiro lugar, ame a Deus, que criou você. Em segundo lugar, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça ao outro nada daquilo que você não quer que façam a você. 3O ensinamento que deriva destas palavras é o seguinte: bendigam aqueles que os amaldiçoam e rezem por seus inimigos, e ainda jejuem por aqueles que os perseguem. Com efeito, se vocês amam aqueles que os amam, que graça vocês merecem? Os pagãos não fazem o mesmo? Quanto a vocês, amem aqueles que os odeiam, e vocês não terão nenhum inimigo”.

2. A violência do amor
“4Não se deixe levar pelos impulsos instintivos. Se alguém lhe dá uma bofetada na face direita, ofereça-lhe também a outra face, e você será perfeito. Se alguém o força a acompanhá-lo pelo espaço de um quilômetro, acompanhe-o por dois; se alguém tira o seu manto, entregue-lhe também a túnica. Se alguém toma alguma coisa que pertence a você, não a peça de volta, pois você não poderá fazer isso”

3. O amor de partilha
“5Dê a quem pede a você e não peça para devolver, pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. Feliz aquele que dá conforme o mandamento, porque será considerado inocente. Ai de quem recebe: se recebe por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebe sem ter necessidade, deverá prestar contas do motivo e da finalidade pelos quais recebeu. Será posto na prisão e interrogado sobre o que fez; e daí não sairá até que tenha devolvido o último centavo. 6A esse respeito, também foi dito: Que a sua esmola fique suando nas mãos, até que você saiba para quem a está dando”

4. Exigências do amor ao próximo
“2,1O segundo mandamento da instrução é este: 2Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique magia, nem feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe, nem depois que ela tenha nascido. 3Não cobice os bens do próximo, não jure falso, nem preste falso testemunho. Não seja maledicente, nem vingativo. 4Não seja duplo no pensar e no falar, porque a duplicidade é armadilha mortal. 5Que a sua palavra não seja falsa ou vazia, mas se comprove na prática. 6Não seja avarento, nem ladrão, nem fingido, nem malicioso, nem soberbo. Não planeje o mal contra o seu próximo. 7Não odeie a ninguém, mas corrija uns, reze por outros, e ainda ame aos outros, mais do que a si mesmo”.

5. As raízes do mal e do bem
“3,1Meu filho, procure evitar tudo o que é mau e tudo o que se pareça com o mal. 2Não seja colérico, porque a ira conduz para a morte. Também não seja ciumento, nem briguento ou violento, porque os homicídios nascem de todas essas coisas. 3Meu filho, não seja cobiçoso de mulheres, porque a cobiça leva à fornicação. Evite falar obscenidades e olhar com malícia, pois os adultérios surgem de todas essas coisas. 4Meu filho, não seja dado à adivinhação, pois a adivinhação leva à idolatria. Também não pratique encantamentos, astrologia ou purificações, nem queira ver ou ouvir sobre essas coisas, pois de todas essas coisas provém a idolatria. 5Meu filho, não seja mentiroso, porque a mentira leva ao roubo. Não seja ávido de dinheiro, nem cobice a fama, porque os roubos nascem de todas essas coisas. 6Meu filho, não seja murmurador, porque a murmuração leva à blasfêmia. Não seja insolente, nem tenha mente perversa, pois as blasfêmias nascem de todas essas coisas. 7Seja manso, porque os mansos receberão a terra como herança. 8Seja paciente, misericordioso, sem maldade, tranqüilo e bom, respeitando sempre as palavras que você tiver ouvido. 9Não se engrandeça a si mesmo, nem se entregue à insolência. Não se junte com os “grandes”, mas converse com os justos e pobres. 10Aceite como boas as coisas que lhe acontecem, sabendo que nada acontece sem o consentimento de Deus”.

6. A pessoa inserida na comunidade
 “4,1Meu filho, lembre-se dia e noite daquele que anuncia a Palavra de Deus para você e honre-o como se fosse o próprio Senhor, pois o Senhor está presente onde é anunciada a soberania do Senhor. 2Procure estar todos os dias na companhia dos fiéis, para encontrar apoio nas palavras deles. 3Não provoque divisão. Pelo contrário, reconcilie aqueles que brigam entre si. Julgue de modo justo, corrigindo as culpas sem fazer diferença entre as pessoas. 4Não fique hesitando sobre o que vai ou não acontecer. 5Não seja como os que estendem a mão na hora de receber e a retiram na hora de dar. 6Se você ganha alguma coisa com o trabalho de suas mãos, ofereça-o como reparação por seus pecados. 7Não hesite em dar, nem dê reclamando, pois você sabe quem é o verdadeiro remunerador da sua recompensa. 8Não rejeite o necessitado. Divida tudo com o seu irmão, e não diga que são coisas suas. Se vocês estão unidos nas coisas que não morrem, tanto mais nas coisas perecíveis. 9Não se descuide de seu filho ou de sua filha; pelo contrário, instrua-os desde a infância no temor de Deus. 10Não dê ordens com rudeza ao seu servo ou à sua serva, pois eles esperam no mesmo Deus que você, para que não percam o temor de Deus, que está acima de uns e outros. Com efeito, ele não virá chamar a pessoa pela aparência, mas aqueles que o Espírito preparou. 11Quanto a vocês, servos, sejam submissos aos seus senhores, com respeito e reverência como à imagem de Deus. 12Deteste toda hipocrisia e tudo o que não seja agradável ao Senhor. 13Não viole os mandamentos do Senhor. Guarde o que você recebeu, sem nada acrescentar ou tirar. 14Confesse as suas faltas na reunião dos fiéis, e não comece a sua oração com má consciência. Este é o caminho da vida”.

7. O caminho da morte
“5,1O caminho da morte é este: Em primeiro lugar, é mau e cheio de maldições: homicídios, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatrias, práticas mágicas, feitiçarias, rapinas, falsos testemunhos, hipocrisias, duplicidade de coração, fraude, orgulho, maldade, arrogância, avareza, conversa obscena, ciúme, insolência, altivez, ostentação e ausência de temor de Deus. 2Por esse caminho andam os perseguidores dos bons, os inimigos da verdade, os amantes da mentira, os que ignoram a recompensa da justiça, os que não desejam o bem nem o julgamento justo, os que não ficam atentos para o bem, mas para o mal. Deles está longe a calma e a paciência; são amantes das coisas vãs, ávidos de recompensas, não se compadecem do pobre, não se importam com os atribulados, não reconhecem o seu Criador. São ainda assassinos de crianças, corruptores da imagem de Deus, desprezam o necessitado, oprimem o aflito, defendem os ricos, são juízes com os pobre e, por fim, são pecadores consumados. Filhos, afastem-se de tudo isso”.

8. Perfeição é servir ao Senhor
“1Fique atento para que ninguém o afaste deste caminho da instrução, pois aquele ensinaria a você coisas que não pertencem a Deus. 2Se puder carregar todo o jugo do Senhor, você será perfeito. Se isso não for possível, faça o que puder. 3Quanto à comida, observe o que você puder. Não coma nada do que é sacrificado aos ídolos, porque esse é um culto a deuses mortos”.

B.     Segunda Parte: Celebração da Vida.
(Capítulos 7 a 10)

1. O Batismo
“7,1Quanto ao batismo, procedam assim: Depois de ditas todas essas coisas, batizem em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. 2Se você não tem água corrente, batize em outra água; se não puder batizar em água fria, faça-o em água quente. 3Na falta de uma e outra, derrame três vezes água sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. 4Antes do batismo, tanto aquele que batiza como aquele que vai ser batizado, e se outros puderem também, observem o jejum. Àquele que vai ser batizado, você deverá ordenar jejum de um ou dois dias”.

2. O jejum e a oração
“8,1Que os jejuns de vocês não coincidam com os dos hipócritas. Eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana. Vocês, porém, jejuem no quarto dia e no dia da preparação. 2Não rezem como os hipócritas, mas como o Senhor ordenou no seu Evangelho. Rezem assim: “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia, perdoa a nossa dívida, assim como também nós perdoamos aos nossos devedores, e não nos deixeis cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o poder e a glória para sempre”. 3Rezem assim três vezes ao dia”.

3. A celebração eucarística
“9,1Celebrem a Eucaristia deste modo: 2Digam primeiro sobre o cálice: “Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da santa vinha do teu servo Davi, que nos revelaste por meio do teu servo Jesus. A ti a glória para sempre”. 3Depois digam sobre o pão partido: “Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da vida e do conhecimento que nos revelaste por meio do teu servo Jesus. A ti a glória para sempre. 4Do mesmo modo como este pão partido tinha sido semeado sobre as colinas, e depois recolhido para se tornar um, assim também a tua Igreja seja reunida desde os confins da terra no teu reino, porque tua é a glória e o poder, por meio de Jesus Cristo, para sempre”. 5Ninguém coma nem beba da Eucaristia, se não tiver sido batizado em nome do Senhor, porque sobre isso o Senhor disse: “Não dêem as coisas santas aos cães

4. Agradecimento depois da Eucaristia
“10,1Depois de saciados, agradeçam deste modo: “2Nós te agradecemos, Pai Santo, por teu santo Nome, que fizeste habitar em nossos corações, e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que nos revelastes por meio do teu servo Jesus. A ti a glória para sempre. 3Tu, Senhor Todo-poderoso, criastes todas as coisas por causa do teu Nome, e deste aos homens o prazer do alimento e da bebida, pra que te agradeçam. A nós, porém, deste uma comida e uma bebida espiritual, e uma vida eterna por meio do teu servo. 4Antes de tudo, nós te agradecemos porque és poderoso. A ti a glória para sempre. 5Lembra-te, Senhor, da tua Igreja, livrando-a de todo o mal e aperfeiçoando-a no teu amor. Reúne dos quatro ventos esta Igreja santificada para o teu reino que lhe preparaste, porque teu é o poder e a glória para sempre. 6Que a tua graça venha, e este mundo passe. Hosana ao Deus de Davi. Quem é fiel, venha; quem não é fiel, converta-se. Maranatá. Amém”. 7Deixem os profetas agradecerem à vontade”.

C.    Terceira Parte: Verdadeiros e falsos pregadores.
(Capítulos 11 a 15)

1. Verdadeiros e falsos pregadores
“11,1Se alguém vier até vocês ensinando tudo o que foi dito antes, deve ser acolhido. 2Mas se aquele que ensina for perverso e expuser outra doutrina para destruir, não lhe dêem atenção. Contudo, se ele ensina para estabelecer a justiça e o conhecimento do Senhor, vocês devem acolhê-lo como se fosse o Senhor. 3Quantos apóstolos e profetas, procederam conforme o principio do Evangelho. 4Todo apóstolo que vem até vocês seja recebido como o Senhor. 5Ele não deverá ficar mais que um dia ou, se for necessário, mais outro. Se ficar por três dias, é um falso profeta. 6Ao partir, o apóstolo não deve levar nada, a não ser o pão necessário até o lugar em que for parar. Se pedir dinheiro, é um falso profeta. 7Não coloquem à prova nem julguem um profeta que em tudo fala sob inspiração, pois todo pecado será perdoado, mas esse não será perdoado. 8Nem todo aquele que fala inspirado é profeta, a não ser que viva como o Senhor. É assim que vocês reconhecerão o falso e o verdadeiro profeta. 9Todo profeta que, sob inspiração, manda preparar a mesa, não deve comer dela. Caso contrário, trata-se de um falso profeta. 10Todo profeta que ensina a verdade, mas não pratica o que ensina, é um falso profeta. 11Todo profeta comprovado e verdadeiro, que age pelo mistério terreno da Igreja, mas não ensina a fazer como ele faz, não será julgado por vocês. Ele será julgado por Deus. Assim também fizeram os antigos profetas. 12Se alguém disser sob inspiração: “Dê-me dinheiro” ou qualquer outra coisa, não o escutem. Contudo, se ele pedir para dar a outros necessitados, então ninguém o julgue”.

2. Hospitalidade com discernimento
“12,1Acolham todo aquele que vier em nome do Senhor. Depois, examinem para conhecê-lo, pois vocês te, juízo para distinguir a esquerda da direita. 2Se o hóspede estiver de passagem, dêem-lhe ajuda no que puderem; entretanto, ele não permanecerá com vocês, a não ser por dois dias, ou três, se for necessário. 3Se quiser estabelecer-se com vocês e tiver uma profissão, então trabalhe para se sustentar. 4Se ele, porém, não tiver profissão, procedam conforme a prudência, para que um cristão não viva ociosamente entre vocês. 5Se ele não quiser aceitar isso, é um comerciante de Cristo. Tenham cuidado com essa gente”.

3. Sustentação do profeta
“13,1Todo verdadeiro profeta que queira estabelecer-se entre vocês é digno do seu alimento. 2Da mesma forma, também o verdadeiro mestre é digno do seu alimento, como todo operário. 3Por isso, tome os primeiros frutos de todos os produtos da vinha e da eira, dos bois e das ovelhas, e os dê para os profetas, pois eles são os sumos sacerdotes de vocês. 4Se, porém, vocês não têm nenhum profeta, dêem aos pobres. 5Se você fizer pão, tome os primeiros e os dê conforme o preceito. 6Da mesma forma, ao abrir uma vasilha de vinho ou de óleo, tome a primeira parte e dê aos profetas. 7Tome uma parte do seu dinheiro, da sua roupa e de todas as suas posses, e os dê conforme o preceito.”

4. A celebração dominical
“14,1Reúnam-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer, depois de ter confessado os pecados, para que o sacrifício de vocês seja puro. 2Aquele que está de briga com seu companheiro, não poderá juntar-se a vocês antes de se ter reconciliado, para que o sacrifício que vocês oferecem não seja profanado. 3Esse é o sacrifício do qual o Senhor disse: “Em todo lugar e em todo tempo, seja oferecido um sacrifício puro, porque eu sou um grande rei, diz o Senhor, e o meu nome é admirável entre as nações”.

5. A vivência comunitária
“15,1Escolham para vocês bispos e diáconos dignos do Senhor. Eles devem ser homens mansos, desprendidos do dinheiro, verazes e provados, porque eles também exercem para vocês o ministério dos profetas e dos mestres. 2Não os desprezem, porque entre vocês eles têm a mesma dignidade que os profetas e mestres. 3Corrijam-se mutuamente, não com ódio, mas com paz, como vocês têm no Evangelho. E ninguém fale com nenhuma pessoa que tenha ofendido o próximo; que essa pessoa não escute nenhuma palavra de vocês, até que se tenha arrependido. 4Façam suas orações, esmolas e todas as ações, da forma que vocês têm no Evangelho de nosso Senhor”.

D.    Quarta Parte: Perseverar até o Fim.
(Capítulo 16)

“16,1Vigiem sobre a vida de vocês. Não deixem que suas lâmpadas se apaguem, nem soltem o cinto dos rins, Fiquem preparados, porque vocês não sabem a que hora o Senhor nosso vai chegar. 2Reúnam-se com freqüência para procurar o que convém a vocês. Porque de nada lhes servirá todo o tempo que vocês viveram a fé, se no último momento vocês não estiverem perfeitos. 3De fato, nos últimos dias, os falsos profetas e os corruptores se multiplicarão, as ovelhas se transformarão em lobos e o amor se transformará em ódio. 4Crescendo a injustiça, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão mutuamente. Então aparecerá o sedutor do mundo, como se fosse o Filho de Deus, e fará sinais e prodígios. A terra será entregue em suas mãos e cometerá crimes como jamais foram cometidos desde o começo do mundo. 5Então toda criatura humana passará pela prova de fogo, e muitos ficarão escandalizados e perecerão. Contudo, aqueles que permanecerem firmes na fé serão salvos por aquele que os outros amaldiçoam. 6Então aparecerão os sinais da verdade. Primeiro, o sinal da abertura no céu; depois, o sinal do toque da trombeta e, em terceiro lugar, a ressurreição dos mortos. 7Ressurreição sim, mas não de todos, conforme foi dito: "O Senhor virá, e todos os santos estarão com ele". 8Então o mundo verá o Senhor vindo sobre as nuvens do céu”.

Nos próximos posts, um estudo sobre a Didaché, não percam!
Em Cristo Jesus,
Seu irmão, Rodolfo Marinho.

terça-feira, 9 de março de 2010

Experiência do Amor de Deus

1. Nos primeiros relatos do livro de Rute, nós nos deparamos com um relato impressionante a respeito de sua família. A desgraça atinge a sua família! Seu sogro morre, seu cunhado e seu marido também. Todos os homens de sua família falecem, e ficam três mulheres sozinhas e indefesas: Noemi, Rute e Orfa. Em terra estrangeira se deparam com a dor, sofrimento e pobreza.
Diante do acontecido, percebendo que já não havia esperança, e que no estado em que se encontravam nada mais tinha jeito, Noemi decide voltar à sua terra natal, para junto do Povo de Israel, onde o Senhor mostrava claramente o seu cuidado e fidelidade.
Começa aqui um verdadeiro ato de fé, pois ao saber da situação de seu povo e de sua relação amorosa com o Senhor, ela não exita e volta o seu olhar e sua esperança para aquele que não lhe deixaria nada faltar: O Senhor Deus de Israel.
Porém, havia um problema: Rute e Orfa não pertenciam ao Povo de Israel, eram da tribo de Moab, portanto estrangeiras, e tinham outros deuses por “senhor”. Orfa decide votar ao seu povo e a seus deuses. Rute, porém, mesmo não pertencendo ao Povo de Israel, decide ir com sua sogra, Noemi, de encontro ao Povo de Israel, confiando no Deus de Israel que mal conhecia, e também pela fidelidade que trazia aos afetos familiares cultivados até então.
Rute escolheu seu caminho, e declarou a sua sogra: “Não insistas comigo para que te deixe e me afaste de ti. Porque para onde fores irei contigo, onde pousares, lá pousarei eu também. Teu povo será o meu povo, e o teu Deus será o meu Deus”. (Rute 1,16)

2. Desta narração nós tiramos duas lições:
Primeiro: Deus guia não só o seu povo, mas, também aqueles que a este não pertence, e os usa para que tenham um papel significativo na história da Salvação. Isto, sem dúvida vem de encontro ao esforço do Apóstolo Paulo na evangelização daqueles que não eram de descendência judaica (Cf Gálatas 2,7-9). Deus usa quem quer e como quer;
Segundo: o autor nos apresenta com a história de Rute, uma vida familiar exemplar: rica em fidelidade, solicitude mútua e afeição, mesmo diante de tragédias, provações e pobreza. Uma família onde há solidariedade entre os parentes, compreensão de valores e dotes; um verdadeiro elogio às virtudes da família.
Sem dúvida trata-se de um grande exemplo para nós, enquanto discípulos e missionários, mediante o batismo que nós recebemos, e também um grande exemplo para a nossas famílias e sua vivência diária.
Aprendemos aqui que a família é sempre a “base”, no sentido de ser, segundo a Palavra de Deus, escola de virtudes e caminho precioso onde se aprende o plano de Deus: “A virtude autêntica está na base da vida familiar e social: divisões e descriminações não entram no plano de Deus”. (Cf. Missal Cotidiano, Paulus)

3. A narração de Rute ainda nos remete ao Mandamento do Amor, que conhecemos como “o resumo” feito por Jesus dos Dez Mandamentos: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento (...) amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. (Cf. Mateus 22,37-39).
O único critério do cristão para testemunhar o amor de Deus é o amor aos irmãos, no meio da sociedade, família, grupos e locais onde vive e freqüenta. Estamos falando de uma experiência do Amor de Deus.
Se não for assim, como testemunhar o Amor de Deus?
São Paulo vai nos dizer e ensinar que a “lei (mandamento) se cumpre no amor ao próximo” (Cf. Gálatas 5,14), e João vai direto na “ferida” quando nos diz que é preciso amar-nos uns aos outros, pois aquele que ama nasce de Deus e chega ao seu conhecimento (...) quem não ama não conhece a Deus, (...) como pode alguém amar a Deus sem vê-lo e não amar o irmão que está visivelmente ao seu lado? (Cf. I João 4).
Nem é preciso dizer que o Mandamento do Amor nos confronta. Meche com nossas feridas e orgulho, e nos lembra o quanto é difícil amar sem distinção! Mas, bem sabemos que é preciso amar. Para tal precisamos vencer barreiras, obstáculos, nosso orgulho, e fazer valer o cristianismo que professamos e que tem seu fundamento unicamente no amor: Amor de Deus manifestado no seu Plano de Salvação: Desde a criação deste mundo até chegar na Cruz de Jesus! Amor derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (Cf. Romanos 5,5).
Portanto, para ser cristão o amor a Deus e ao próximo é condição fundamental!
Jesus é a expressão mais perfeita do Amor de Deus. Ele é o Amado, sabe amar, e ao amar nos mostra que o Amor de Deus se concretiza, se encarna no amor ao próximo. Rute preferiu seguir sua sogra Noemi a um Deus que ela mal conhecia e por amor àquela mulher que ela havia constituído laços familiares, e sem dúvida, ao contrário de Orfa, escolheu a melhor parte, e, entendeu, mesmo sem conhecer este Mandamento do Amor, que o Amor de Deus se encarna no amor ao próximo.

4. No amor está tudo, é ele, expressão do próprio Deus, que dá valor e sentido aos nossos atos.
O Amor a Deus e ao irmão, é exigência para que estejamos inseridos nos planos de Deus.
A salvação de Deus está no Amor que ele tem para conosco, a ponto de enviar-nos seu Filho, para que vivesse entre nós, sofresse, morresse e ressuscitasse para que tivéssemos vida plena em seu Amor (Cf. João 3,16).
Assim como Deus se revela no Amor, o homem também só pode se realizar no amor. E não qualquer amor, mas, um amor que abrange tudo o que é e tem, e, sobretudo, sua família, seu lar. Este amor não pode ser outro a não ser o Amor de Deus.
Isto é experiência do Amor de Deus!

Texto escrito para a Celebração da 20ª. Sexta feira do Tempo Comum (21.08.2009)

domingo, 27 de dezembro de 2009

Chamados por Deus à Santidade



1. No livro do Levítico 19,2 lemos a vontade de Deus sobre Israel: O desejo de que sejam santos assim, como Ele, o Senhor é Santo. Jesus no Evangelho vai nos convidar a perfeição, que não deixa de ser sinônimo de santidade: “Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está nos céus” (Mt 5,48)
É clara a vontade de Deus sobre as nossas vidas: o desejo do Senhor é que sejamos santos, assim como Ele é Santo! É muito mais do que desejo de Deus para nós, trata-se de uma vocação inata em cada um de nós, ou seja, nascemos já inclinados para a santidade. Paulo vem nos relembrar isso: “Esta é a vontade de Deus: vivei na santidade, afastai-vos da impureza” (I Ts 4,3).
Deus chama a santidade, nós respondemos, não só com a voz, mas com atitudes, pois para sermos santos, é preciso nos afastar de tudo aquilo que não vem de Deus e do que pode nos deixar sujos ou impuros. Por isso, o chamado à santidade traz em si o significado de compreender de maneira nova, de uma maneira ressuscitada, a si mesmo, os outros e as relações humanas; com uma visão livre de malicias e impurezas, com uma visão santa.

2. Não há outro caminho para a comunidade cristã, ou para qualquer que seja que invoca o nome de Jesus, a não ser o caminho da santidade. Neste contexto, a Igreja, desejo de Cristo, família de Deus é chamada a ser santa, ou seja, é chamada a viver como consagrada a Deus inteiramente, e integralmente voltada para Ele e seu Amor.
Sabemos que a Igreja é uma concepção que vai muito além do Templo onde nos reunimos para prestarmos o culto a Deus. A Igreja é constituída de homens e mulheres, que embora, imperfeitos ainda, por conta do mal do pecado, buscam a cada dia a perfeição e a santidade, vivendo tudo aquilo que a Igreja ensina e professa.
A vida na santidade exige, segundo o Apóstolo, que o cristão fuja das relações extra-matrimoniais e que mantenha o seu corpo em santidade (Cf. I Ts 4,3-6). Ora, se nós somos a Igreja, somos Templos do Espírito Santo (Cf.), portanto fugir das ocasiões de pecado e manter o corpo em santidade é preciso para que reflita em nós, Deus que é amor, santidade e perfeição. É deste modo que começamos a trilhar o caminho da santidade, caminho que se fará durante toda a vida, e terminará diante de Deus na eternidade. 
Com esta consciência, o cristão é convidado a descobrir o valor do seu corpo criado por Deus, como seu Templo Vivo e assim é chamado a participar da ressurreição de Jesus Cristo. Fica assim muito claro que Deus nos chamou a sermos santos: “Deus não nos chamou a impureza, mas à santidade” (I Ts 4,7). Ignorar a vontade de Deus é ignorar o Espírito Santo (Cf. I Ts 4,8).

3. Assim como Paulo se dirigiu a comunidade de Tessalônica para que a mesma vivesse em santidade, a Palavra de Deus nos fala hoje no mesmo sentido, ela nos convida a santidade, a nos abrirmos, a nos movermos, a caminharmos para a plenitude de Deus, assumindo de forma encarnada em nossa vida a imagem de sua santidade: “Sermos santos como Ele é Santo”, e testemunharmos com a voz e a vida: Santidade ao Senhor, Igreja!
Pois, segundo a Constituição Lumen Gentium a santidade é vocação da Igreja e de todos os seus membros (Cf. LG 5). Aqui entendemos o porquê de tantos santos e santas que a Igreja venera: A santidade é uma realidade, e não um mito, ou algo que ainda vá acontecer em uma escatologia futura; a santidade é chamado de Deus para hoje, visando o que será a realidade no céu, onde a nossa alegria no Senhor será completa e assim poderemos exultar com os justos ao receber a coroa da glória: “Uma luz já se levanta para os justos, e a alegria, para os retos corações. Homens justos, alegrai-vos no Senhor, celebrai e bendizei seu santo nome!” (Sl 96/97, 11-12).

4. Na parábola das Dez Virgens, encontramos também exigências de santidade. Uma destas exigências arrisco a dizer, a mais importante delas, encontramos da seguinte forma: “Vigiai, pois não sabeis o dia nem a hora” (Mt 25,13). Exigência para a santidade é a Vigilância, a constância na oração e na espera pelo Senhor, pois não sabemos quando e nem como iremos nos encontrar com Ele. Quem quer ser santo, e assim chegar a santidade, se policia, vigia, se prepara, fica atento.
A parábola das virgens é uma alegoria das núpcias de Cristo com a Igreja. Espécie de “Festa de casamento” que se dará na eternidade, onde o noivo é o Cristo Jesus, o Senhor da eternidade e de toda História. As virgens representam as comunidades cristãs que são motivadas a estarem preparadas para o encontro com o Senhor. Nós também, cada um em sua individualidade, podemos nos colocar no lugar das virgens: ou daquelas que estavam preparadas ou das outras que não traziam óleo suficiente em suas lâmpadas.

5. Nas núpcias do Cordeiro participam todos: os bons e os maus (parábola do joio), os sábios e os tolos (Cf. Mt 25,8). Todos, sem exceção, vão ao encontro do Senhor, porém alguns vão ao seu encontro porque são fiéis na vigilância, levam óleo a mais para as suas lâmpadas (Cf. Mt 25,4), outros, porém, vão ao seu encontro na infidelidade, pois não levam óleo suficiente para manterem suas lâmpadas acesas (Cf. Mt 25,3).
As virgens que são prevenidas se identificam com a prática da justiça. E é, pois esta prática, a pratica da justiça que leva à santidade. O óleo vem representar justamente esta prática. Às virgens desprevenidas Jesus, na pessoa do Noivo diz: “Não vos conheço” (Cf. Mt 25,12), as palavras mais terríveis e frias da Escritura, que irão significar uma separação total das suas núpcias, porque estas virgens tiveram a chance de se precaver e não o fizeram, em outras palavras, podiam ter exercido a prática da justiça e assim trilhar o caminho da santidade.
Jesus usa o termo “Não vos conheço”, uma vez que o verbo “conhecer” traz em si um laço de afetividade, carinho e estima; diria mais: traduz intimidade e familiaridade. E mais quem é repelido, é repelido por causa da falta da fé vigilante, que leva o amor e a esperança à morte e impossibilita assim o alcance da santidade.
Portanto, o chamado a santidade, consiste em vigiar pela fé, em preparar-se, estar atento, quem permanece assim, conserva o óleo da justiça, e pratica a mesma, visando a santidade. Conservar o “óleo” para manter as nossas lâmpadas acesas é esperar vigilante e ativamente o encontro com Cristo preparado desde toda eternidade que resultará tão somente em santidade.
Que Ele mesmo, o Noivo, nos conceda a graça de permanecermos fiéis ao seu chamado e vigilantes na fé enquanto esperando e caminhando buscamos a santidade.

Texto escrito para 
a Celebração da Sexta feira da 21ª. Semana Comum
28.08.2009
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Nuvem de Tags

Amizade (7) Ano novo (3) Artigos (20) Artur da Távola (1) Audio (1) Autores desconhecidos (1) Beatificação (1) Carlos Drumonnd de Andrade (1) Charles Caleb Colton (1) Colaboradores (2) Dalai Lama (1) Dennis Gabor (1) Devocional (10) Diacp. José da Cruz (5) Diário (1) Divulgação (1) Documentos da Igreja (2) Ella Wheeler Wilcox (1) Em defesa da vida (1) Estudo sobre a Didaché (6) Estudos e Catequeses (2) Eucaristia (1) Eventos (1) Família (2) Fé e Política (1) Fernando Pessoa (2) Fernando Sabino (1) Formação (21) Fotos (4) Gandhi (1) George Bernard Shaw (1) George Gracie (1) Gotas da Palavra (5) Gotas de sabedoria (50) Henry Thoreau (1) Heresia (2) Homenagem aos pais (1) Homilias (25) Icones (1) Ir. Inês (1) João Paulo II (3) Joseph Campbell (1) Liang Tzu (1) Liturgia (1) Luana Lua (1) Madre Teresa de Calcutá (1) Maria Paula Fraga (1) Mário Lago (1) Mário Quintana (1) Matrimônio (1) Música (30) Natal (7) Nossa Senhora (2) Nossa Senhora Aparecida (3) Nossa Senhora da Alegria (1) Oliver Wendell Holmes (1) Orações (10) Pablo Neruda (1) Palavra dos Santos (3) Paróquia Todos os Santos (1) Pe. Fábio de Melo (1) Pierre Schurmann (1) Pio XII (1) Poemas (6) Pregações (3) Refletindo com a Palavra de Deus (9) Reflexão (84) Reflexões Quaresmais (17) Renata Mangeon (1) Roberto Shinyashiki (1) Rodolfo Marinho de Sousa (1) Sabedoria dos Santos (10) Sacerdócio (2) Sacramentos (1) Sagrada Família (1) Saint Exupéry (1) Santa Emília de Rodat (2) Santa Faustina (1) Santa Teresa de Jesus (1) Santa Terezinha do Menino Jesus (2) Santo Agostinho (1) Santos (1) São Francisco de Assis (1) São João Maria Vianney (1) Sirlei L. Passolongo (1) Solidariedade (1) Tahyane Rangel (1) Testemunho (7) Vargas Vila (1) Versículos Eternos (1) Videos (49) Vinicius de Moraes (1) Vocação (2) Zeza Marqueti (1)